“ôi Cábu Vêrdi!”

Cabo Verde é uma república africana, um arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas, próxima da costa do Senegal. Foi colônia portuguesa desde o século XV até 1975. Os lusitanos deixaram sua língua como herança — além de alguns pelourinhos espalhados pelas maiores cidades –, que os cabo-verdianos souberam mesclar com seus próprios elementos para criar um autóctone crioulo cabo-verdiano — que, apesar de estar fundamentado no léxico português, me parece absolutamente ininteligível. E é. É outra língua, que divide com o português o dia-a-dia dos habitantes.

É a língua crioula mais antiga do mundo e guarda resquícios do português que era falado nos séculos XV e XVI — portanto, tem enorme relevância lingüística.

O ritmo tradicional de Cabo Verde é a morna. Cujo nome pode derivar de inúmeras fontes, mas crer que seja a variação feminina de “morno” — e que se relaciona com a suavidade e dolência da vida nas ilhas e, por conseqüência, dos versos cantados — é o que mais me agrada. É um ritmo alegre, com uma percussão semelhante aos ritmos caribenhos, com letras repletas de histórias sentimentais, tristes, mas, por vezes, contando sobre festas e situações corriqueiras mais leves. Talvez seja a melhor tradução do povo daquelas ilhas, a exemplo de outros ritmos tradicionais como o tango argentino, o lundu angolano, a mazurca polonesa, o samba brasileiro, etc.

O maior expoente das artes cabo-verdianas é, indiscutivelmente, Cesária Évora, a “rainha da morna” ou “a diva dos pés descalços”. A esta senhora, nascida no Mindelo, em 1941, os louvores nunca farão justiça a toda sua força e à sua música poderosa. Sua voz forte e a presença desconcertante hipnotizam. Recomendo sua obra completa, mas em especial os discos “Café Atlântico”, de 1996 (torrent), e “Rogamar”, de 2006 (torrent).

Ontem, buscando por outro artista, acabei topando com este tópico da comunidade “Discografias” do orkut e tomei conhecimento de mais uma cantora de morna, a Lura. Uma jovem lisboeta, fluente no crioulo cabo-verdiano que compõe e canta nesta língua. Sua voz é lindíssima e suas músicas, alegres, dão outra dimensão a este ritmo tão brilhantemente conduzido pela Cesária Évora há tantos anos. Recomendo fortemente.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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