sobre a paz.

Hvarf_folder e Heim_folder

Hvarf e Heim. Um disco de regravações, com arranjos acústicos e um Jónsi explodindo nas horas certas; outro disco, com músicas inéditas, ao vivo, com aplausos de platéia e a energia fluindo pela cabeça, reverberante, desconcertante.

O Sigur Rós lançou dia 05 de Novembro seus dois novos EPs. Estão no mesmo “pacote de lançamentos” que o filme/documentário Heima, que vai mostrar uma turnê pela Islândia – com os quatro tocando pra quem quisesse ouvir, nos lugares mais improváveis. O Heima já estreou na Islândia e na Inglaterra.

Uma emissora de rádio dos Estados Unidos (National Public Radio – NPR) convidou a banda pra uma entrevista. Um misto de perguntas óbvias e/ou rasas transformou a entrevista em algo triste de se ver (ou ouvir).

Eu não vejo o que explicar. Não espero dos caras da banda racionalizações sobre o que eles fazem. Eles não têm outro objetivo que não seja fazer música. É o que fazem – e bem. Não preciso de mais. Não quero que expliquem como criaram ou por que criaram o “hopelandic” – me basta saber que ele existe e que faz das músicas do ( ) algo lindo de se ouvir.

Nunca busquei as traduções das letras. Não sei mais do que três ou quatro palavras em islandês – coisas bobas. E, no entanto, Sigur Rós é a banda que mais me emociona e mais me envolve em todo o mundo. Não preciso entender os significados – fico com a música.

Esses dois EPs apenas contribuem ainda mais pra que minha vontade se reforce. Há um cuidado tão grande e tão incrível com as canções: os vários níveis de instrumentos, a voz do Jónsi, agora se ouvem linhas de contra-baixo na lindíssima versão acústica de “Starálfur“, “Ágætis Byrjun” ficou ainda mais comovente, a sensação etérea de “Von” é algo indescritível… Enfim, é um trabalho cuidadoso, meticuloso, burilado – e lindo. Tão lindo quanto poderia ser algo espontâneo (como acontece, de fato), que também existe, nas gravações ao vivo do Hvarf.

São discos pra se ouvir com calma – permitindo a chegada da música, das nuances, dos sons inesperados, a voz que explode na hora certa, que se contrai – quase dolorosamente.

Eu choro sempre que ouço – e é um choro de alegria misturado com o veneno das minhas dores que saem junto. Em outras palavras, hiperbolicamente, Sigur Rós é meu bálsamo, meu encontro com uma essência que busco transpor para a vida, minha banda preferida do mundo inteiro.

E que bom que eles voltaram.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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