Brincando.

Se ficar brincando com palavras é algo que sabe fazer, por que fugir? Brinque, misture. Finja brincar, finja misturar. Quem vai saber? Pior: quem vai se importar? Porque nesses dias a impressão é que não importa o que se diga, todos estarão prontos para ouvir exatamente aquilo que querem – você falando sobre eles. Então invente.

As alunas passeando pela universidade e você admirado com a beleza fresca daquelas meninas. Não, não é admiração típica de um homem e suas Lolitas. São leves em suas não-preocupações, essas meninas. São meninas de entre-morros, e talvez por isso não tenham por que nutrir preocupações extra-morros. Passeavam rindo pelas ruas da universidade, sonhando sonhos-meninas, perguntando dúvidas-meninas. Eu as levei até onde pude – ou até onde deixaram, não sei – e lhes apresentei o que era “meu” naquele espaço todo. Chega uma hora que cansa ver tanta coisa que não é “seu”; as informações se sobrepõem, perdem conteúdo, o sol esquenta e o movimento delas, antes diante de mim, vagueia para outros olhos, outros olhares – tão jovens quanto elas, “cobiçantes”. É a mesma coisa, mas mais nova.

Sou um velho. Me faltam suspensórios…

E essa coisa de a gente ter que aprender com os outros o tempo todo? Aprender com os erros, com os acertos, errando, acertando… É difícil. Não era pra ser, mas é. Ainda assim, mesmo com tropeços, aposto nas pessoas. Espero delas o improvável, o caótico, o humano. Bom exercício de não-julgar. Aposto nas pessoas porque sei que gostaria de saber-me foco de uma aposta que esperaria de mim, este espécime estranho, de pano e linha velha, humanidade. Erramos, todos, sem exceção. Erra mais quem acha que mais acerta – mas isso é clichê (e fato).

Gosto de clichês.

Preciso de surpresas. Hoje acordei e mal conseguia andar – tanta dor. Uma surpresa. Não fui trabalhar. Não vi alunos, coordenadora, diretora, filha da diretora, inspetor… Só vi a manchinha no teto. Meu elefante. Parece um elefante, a mancha. Fiquei ali, entre preocupado e doído. E até que ponto é só para pagar contas? Quanto do que me faz levantar de madrugada é paixão por ensinar? Dúvidas de hoje pela manhã, quando eu nem conseguia andar direito.

Minha coluna… (Velho, não disse?)

Não lembro mais a voz da minha avó ou a risada da Carol. E se eu esquecer tudo? Pra onde vai quem esquece tudo? Lembro dos sotaques. Um italiano (“pon” ao invés de “pão”), outro carioca (“meu paulixta”). Mas sem som…

Vida de esquecer, essa.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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Uma resposta para Brincando.

  1. Ana disse:

    Eu tambem esqueco… Nao consigo mais lembrar dos gestos do meu pai. Lembro do sorriso, da voz grossa chamando “filhooota…”, mas nao lembro do abraco.

    Se voce descobrir pra onde vai, me conta? Ando querendo muito saber.

    Eles todos devem estar festejando, as vozes, as risadas, os abracos… Deve ser uma boa festa.

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