Uma semana…

Falta uma semana para a viagem ao Rio de Janeiro. Acho que nunca houve uma viagem tão complicada de acontecer quanto essa. Não é a primeira vez que falta uma semana, não é a primeira vez que me pego ansioso com relação ao que vou ver por lá. Nas outras vezes, sei lá, não lembro bem o que aconteceu – eu só não fui. Dessa vez, ao que parece, as chances são maiores; ainda que eu prefira não contar vantagem antes da hora.

Ficaremos na casa de uma amiga, em Niterói – o que talvez contribua com nossa pequena expedição, já que eu imagino que o Rio estará uma doideira por conta dos Jogos Pan-Americanos. A idéia inicial era ficar em um albergue (que hoje em dia as pessoas insistem em chamar de “hostel”), mas os preços dos lugares estão ligeiramente inflacionados – ou então são esses mesmos os preços e eu, com pouca experiência de mochileiro, é que não soube julgar direito. Foram duas tentativas: um em Botafogo, outro em Copacabana; até que surgiu a casa da amiga, a uma ponte de distância. Mudamos de idéia.

Indo ao Rio de Janeiro, cumprirei algumas “tarefas”. Vou ver amigos, acompanhado de amigos – esse é o ponto principal. Mas vai um pouco além disso. Vou até lá descobrir o Rio que não é o Rio da televisão, das novelas; que como cidade turística, foco de atração de pessoas de todo o mundo, tem a obrigação de oferecer elementos turísticos, atrações turísticas, pontos de interesse turísticos, cordialidade turística, infra-estrutura turística, enfim… E, como as melhores destinações do mundo, cumpre esses requisitos. Ao que me consta, quem desembarca no Rio buscando todas essas coisas passa dias agradáveis e volta muito satisfeito.

Mas quando penso em ir ao Rio, não sei bem por que, não me sai da cabeça o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Li esse livro há algum tempo, então não vou citar nada de cabeça. Digo apenas que vou ao Rio de Janeiro esperando ver, se ainda é possível, alguma Capitu. O clima do enredo, das ruas cariocas ensolaradas, onde pessoas de terno e gravata parecem ofender a paisagem. A atmosfera do Rio de então – hoje, cidade grande onde há praia, refúgio de uma espécie de brasileiros com quem tive muito pouco contato.

Vou ao Rio me testar. Paulista e paulistano, reproduzindo preconceitos anteriores a mim, dos quais não soube escapar, espero atravessá-los de fora a fora, ignorá-los, subvertê-los, puxá-los pelo avesso.

Espero de mim no Rio de Janeiro mais do que do Rio de Janeiro em si. Em qual cidade devo acreditar? Aquela que as novelas da Globo apresentam ou aquela que os jornais apresentam? Paulistano, sei que a verossimilhança das representações da TV Globo é bem aquém. Talvez nisso eu encontre uma pista – e uma esperança. Talvez, melhor mesmo seja não esperar nada e apenas ir.

O Rio de Janeiro, aqui de longe, me parece um lugar em que a paisagem vem antes de tudo. Onde mesmo o que destoa, contribui.

Quero ir a um ensaio da Portela. Quero poder querer abraçar o Monarco, da Velha Guarda da Portela. Quero subir a Rocinha. Quero conversar com aquela gente e sorrir com seus maneirismos da fala e dos jeitos. Quero ver (e, se puder, entrar) no Maracanã.

Uma semana…

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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2 respostas para Uma semana…

  1. Bem meu caro… Acho que essa viagem vai ser fantástica.
    A única questão é não entrar em conflito com os hooligans da zona sul… rs

    Fora isso vai ser bem assim:
    “Ela é carioca, ela é cariooooca…
    Olha o jeitinho dela andar…”

  2. Pingback: ao Rio. « acaba mas até continua

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