boa música, às 3h49, porque amanhã não é dia de levantar cedo.

todo mundo que ouve sem cuidado chama de música country. todo mundo devia ouvir as coisas com mais cuidado e eu aposto que encontrariam nuances incríveis mundo a fora. mas como as pessoas preferem levar tudo na superficialidade das opiniões fáceis, chamam essas músicas de country music e seguem a vida.

já há algum tempo essas músicas a que todos chamam de música country quando ouvem no meu carro, no meu mp3, nos meus fones têm me conquistado. não é um problema grave e insolúvel a semelhança dessas músicas com a música country americana, acho, inclusive, porque eu acho muito, que tanto os músicos buscam essa semelhança quanto aprenderam a não se irritar quando dizem que eles são músicos country. músicas country podem ser muito bonitas. vá ouvir Johnny Cash e diga se não…

mas eu não tenho ouvido Johnny Cash. ando me concentrando em expressões mais jovens desse ritmo, que como tudo no mundo, com o passar do tempo, acabou incorporando uma série de elementos e hoje, nowadays, é chamado de alt-country (curruptela de alternative country – mas eu precisava dizer?). pra você ver..

hoje em dia, o diferente é o normal. ser diferente vende roupas, discos, tênis, livros, incita pequenas revoluções cotidianas – que, no fim, põe a todos no mesmo barco: o barquinho dos alternativos. o que por um lado é só mais uma bobagem vendida nas vitrines, na TV, nas revistas, por outro é um fenômeno social bacana, penso eu cá com meus botões, porque com isso de você poder assumir sua esquisitice, os esquisitos (e me incluo nessa, gafanhoto) têm a chance de se orgulhar do seu modo freak de levar a vida. se alguém te diz que gosta de ouvir músicas tristes, muito dificilmente você vai querer levá-lo a uma psiquiatra ou a uma analista; vai só dar de ombros, suspirar e pensar: “Diabos, meu filho virou [inclua aqui uma das milhares de definições, que variam de acordo com a altura da guitarra nas músicas, com a quantidade de maquiagem que o infante passa na cara ou do tipo de calçado que ele veste – “indie”, “punk”, “emo”, “alternativo”, “cult”, etc.]…”. e a vida, provavelmente, vai seguir.

não é uma pequena revolução? uma revolução blasé, quase fleumática, mas ainda assim, uma mudança razoável no modo como o pessoal se comporta. as brigas “inter-tribos” continuam existindo, como havia antes entre os punks e os clubbers – do you remember, old pal? (com exceção dos indies, talvez, que apenas reviram os olhos “pra essa bobagem”.)

o fato é que esse tal “alt-country” me pegou de jeito. primeiro, o Wilco. eu nem sabia quais as etiquetas que colavam no Wilco e eu já daria meu braço esquerdo por um show deles aqui em Pindorama. o último disco deles, Sky Blue Sky, de fato é inferior aos dois últimos, mas o sorriso que abri ao ouvir os primeiros vinte segundos da primeira música, fizeram valer a pena. o sorriso se mantém depois, claro, mas imagino que minha “fanzice” colabore. e agora, mais ultimamente, apareceu o Damien Jurado. o cara é de Seattle, terra do garage rock (leia-se, Pearl Jam, Nirvana e que-tais). como diz a comunidade dele no orkut, this guy makes music – e da maior qualidade. eu não saberia dizer argumentos racionais que te levassem a experimentar uma ou duas canções. são músicas tristes, mas nesses tempos de diferenças normais, eu posso achar melancolia linda e não ser apedrejado por isso. olhares tortos, talvez – pedras, acho difícil. mas não se deixe levar por essa minha fala – de fato é triste, melancólico, herança da country music, por óbvio, mas é muito, muito bonito. se for tentar, procure pelo disco “Where Shall You Take Me?“. recomendo muito, muito mesmo.

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