Flor do Lácio.

É destino, e em Portugal, “fado”. Não podia ser diferente. Eu teceria odes eternas àquele povo, sem querer saber de antigas memórias – principalmente porque eles, feitos que são dessas recordações, souberam como nenhum outro povo que conheço, construir cultura e modo de viver tão afeitos à tristeza, ao pesar, ao acalanto de dores eternas que eu, brasileiro, filho de uma terra que de tão displicente, ri infinitamente da própria desgraça, não posso fazer outra coisa senão admirar as flores que nascem nas pedras mais brutas.

Paixões Diagonais

[João Monge / Miguel Ramos]

 

Do que fala a madrugada
O murmúrio na calçada
Os silêncios de licor
Do que fala a nostalgia
De uma estrela fugidia
Falam de nós, meu amor

Do que sabem as vielas
E a memória das janelas
Ancoradas no sol-pôr
Do que sabem os cristais
Das paixões diagonais
Sabem de nós, meu amor

 

Porque volta esta tristeza
O destino à nossa mesa
O silêncio de um andor
Porque volta tudo ao mar
Mesmo sem ter de voltar
Voltam por nós, meu amor

Porque parte tudo um dia
O que nos lábios ardia
Até não sermos ninguém
Tudo é água que corre
De cada vez que nos morre
Nasce um pouco mais além

Na (linda) voz de Mísia, é a língua deles – emprestada a nós outros que, ao poucos e com calma, vamos desfigurando suas belezas (reinventando-as, com certeza, mas ainda assim, desfazendo-as todas)… Nada mais natural que saibam manejá-la de um jeito que brasileiro nenhum pode fazer. Não há música portuguesa que não pareça obra-prima.

Quero um dia viajar a Portugal para aprender a falar.

Quero mais.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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3 respostas para Flor do Lácio.

  1. Baroni disse:

    Sabe que tem uma coisa muito chata que acaba mais continua, só que é meio chato pq quando isso acontece geralmente a gente fica assado! Não é verdade minha gente!!
    Bjos na assadura para todos!

  2. (Que comentário sem noção de espaço tempo é esse, minha gente?)

    Amei o template novo, e a foto nova.

    E quero Portugal também.

  3. Baroni disse:

    Este comentário tem noção de tempo e espaço sim, o tempo é aquele diário de reflexão sobre nós mesmos quando na privacidade e momento de maior exposição de nossa pessoa, o espaço é de preferencia aquele reservado para isso, senão faz caca! Huahauhau!
    Sem noção é o cara que escreveu isso! Mas o Thiagão, acredito, já se acostumou a conviver com esse cara, que conforme a boca pequena do circulo social da sua própria faculdade diz, e eu bato no peito ao repetir, é um rídiculo! Hehehehehe!

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