maldição.

se você me perguntar, eu vou dizer que está tudo bem e até sorrir. se você me chamar pra conversar sobre seus problemas, eu provavelmente vou te ouvir interessadamente e, se você me permitir, posso até te dar alguns conselhos. se eu me sentar com um professor pra discutir assuntos acadêmicos, vou ouvi-lo e argumentar sem maiores embaraços, fazendo piadas (muito) infames aqui e ali – e ele vai rir delas (ou de mim…). se você quiser, a gente pode ficar cantando músicas esdrúxulas em um videokê perdido em um bairro residencial de Campinas por horas ininterruptas, e eu vou beber algumas cervejas e talvez uma caipirinha, porque não me interessa quebrar a corrente de diversão e descontração.

mas estarei – no videokê, no bar, no corredor da faculdade, na sala do professor, sendo professor – um pouco menos vivo e um pouco menos crente na vida.

(ah, o drama.)

eu estou farto de escrever aqui pedindo (sem pedir) pela piedade alheia. é o que eu sempre faço. sempre.

às vezes me canso de ser quem sou. (hoje, por exemplo.)

lembra que eu estava bobo e feliz, à espera de um “sim”? pff… como fui burro, de novo. me deixei levar por impressões falsas, por conclusões vazias e a única coisa que tenho no fim é a minha solidão e o arrependimento de não ter feito o que eu pensei em fazer, o que me pareceu (e parece) o mais inteligente: ‘travessar… eu podia jurar que dessa vez estava indo pelo caminho certo.

à merda com “o caminho certo”. à merda com… comigo.

nunca vai acontecer.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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3 respostas para maldição.

  1. Carla disse:

    :~
    Já vimos esse filme, right? Hora de trocar o disquinho, Sr. Thiago.

  2. Cara,
    tem outra Carla dizendo LA MEME CHOSE que eu ia dizer.

    Cara,
    que medo.

    Sério,
    que medo.

  3. Fernanda Cristina disse:

    olha:

    Passeio as mãos por toda extensão da redoma

    “Único meio: brotei do vidro. Transparência estranha de areia derretida copulou-se e pariu-me. Do vidro brotara a carne embebida em sangue, carne embebida em pêlos, carne embebida em lágrimas, carne embebida em cabelos, carne embebida em cartilagens, carne embebida em saliva, carne embebida em peles, carne embebida em suores. Mas tenho chumbo também, sim, nas solas dos pés, por dentro: chumbo embebido em carne, sangue, pêlos, suores…
    Dores w sorrisos e choros e alegrias dos outros resvalam lentas, pelo lado de fora, escorrem gosmentas e tristes pelo vidro. Não, não ignoro-as, mas não engulo-as. Não sofro. Remexo-me lenta em minha redoma de vidro; meus movimentos: volúpias de solidões invisíveis (a vocês, pois, não vêem o vidro: claríssimo). Suas dores escorrem, vejo-as, mas não as sinto. Nenhuma fissura permite corpos de emoções estranhos, nenhum orifício permite ventos de alegrias ou dores, dos outros.
    Problema grande é quando, sozinha, cipas (minhas) me sangram e choro. E tenho medo do chumbo por dentro das solas de meus pés. Passeio as mãos por toda extensão da redoma, num quase desejo de alcançar alguém. Lágrimas escapam-me das entranhas: estendo a mão e tento segurar a enxurrada, mas, brotam furiosas. Os pés latejam. Lágrimas caem, juntam-se, molham-me e desespero-me: inundam pouco a pouco a redoma. Começam umedecendo o fundo, então formam uma poça e passeio as mãos por toda extensão circular do vidro, desejo inconsciente de alcançar alguém. Tento refugar as entranhas, impedi-las de torcer e cuspir e jorrar água salgada (de ruindade). Tento, tento. O mar sobe e não se esvai: sair por onde? Sair por onde? O desespero de choro só faz aumentar: mar. Só o autocontrole pode salvar. Mar no pescoço: desespero-me, chacoalho as pernas dentro d’água, pra tentar me manter na superfície. Deslizo, lenta, as mãos pelo vidro, desejo arcaico de alcançar alguém. Os pés pesam. Chumbo de medo. Minha morte, então? A morte? E pior: de tragédias ridículas, pois, ínfimas, florescendo sozinhas por entre o vidro. Morte ridícula? Os pés pesam: morte, então? Minha morte e, ainda por cima, rídicula?
    Entretanto, nunca me afogo. Mia carne das feridas (pus e sangue de tragédias ínfimas e ridículas, pois, solitárias) absorve, com sofreguidão, litro pós litro de lágrimas. O vidro seca, escorrego por ele e observo, altiva mas compassiva, as lágrimas e risos, dos outros. Esqueço que passo as mãos lentamente pelo vidro.
    Porém, o chumbo pesado, mas desprezado, às vezes lateja – avisando que, dia ou outro, as dores de mar vão retornar. Passeio as mãos e sinto-me ridícula. “

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