Quando a gente corre, não consegue escrever*

A impressão que eu tenho é de que eu sempre estou acordado nas horas em que deveria estar dormindo. A vida inteira assim: acordado nas horas erradas, dormindo nas horas erradas. Nunca foi realmente um problema, mas ultimamente eu tenho pensado um pouco sobre isso. Muito em função do novo emprego. Três vezes por semana eu me levanto às seis da manhã. Pra quem sempre foi dormir por volta das cinco, isso é um problema.

Tenho levantado cedo assim pra ir dar aulas na mesma escola em que substitui um professor durante o ano passado. Agora, eu sou o professor de Geografia. Bom, bacana – divertido na maior parte do tempo -, mas tem mudado coisa demais na minha vida. Odeio mudanças drásticas. O fato de eu estar escrevendo isso ao som de uma das músicas mais tristes dentre todas as músicas tristes do Radiohead deve querer dizer alguma coisa.

O que me faz lembrar que ainda não organizei o blog o suficiente pra, por exemplo, colocar, em algum lugar, um link pra minha página no Last.Fm. Uma lástima. Culpa do tempo que vai escorrendo pelos dedos.

Amanhã eu preciso novamente acordar às seis da manhã (mesmo sendo sábado) porque tenho aula na auto-escola. Estou tirando minha carta de moto. Outra mudança. Minha moto, meu emprego, meus horários, minhas madrugadas… A gente vai virando adulto e a vida inevitavelmente vai perdendo em brilho. Uma pena.

Não estou reclamando, não. É realmente bom estar trabalhando, falando sobre Geografia, comprando meu primeiro, ahm, veículo… É só que muda muito, rápido demais e eu levo muito tempo pra assimilar tudo.

Acho que um dia eu volto pra dizer das músicas que tenho ouvido, dos filmes que tenho assistido, pra falar sobre como é dar aula pra quem quer e pra quem não quer ouvir, sobre como é escrever um post sem óculos (porque eu os perdi e depois os quebrei), sobre uma paixão que não termina, sobre ainda estar apaixonado, sobre o mosquito que acabou de entrar no meu nariz… Essas coisas sobre as quais eu sempre falei, sempre com algum jeito.

No alarms and no surprises, canta o Thom aqui nos fones. Boa, Thom… Muito boa.

*Mesmo quando quer muito; muito mesmo.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
Esse post foi publicado em dos pequenos devaneios, la comedie des jours. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Quando a gente corre, não consegue escrever*

  1. Mariana disse:

    Simplesmente lindo td que vc escreve
    Tô com saudade!
    Se cuida tá?

    Beijos!

    ;)

  2. A vida não perde brilho não… só muda o tipo do brilho!

    Beijão.

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