orkut.

Num mundo distante e pouco bonito, havia um tipo especial de flor que vivia durante todo o ano. O ano lá durava quinze segundos. No décimo quinto segundo do ano que havia passado, a flor que morria deixava cair no chão uma única semestre (laranja, pequena, achatada). Quando o ano mudava e o primeiro segundo começava, a semente afundava no solo, sem que fosse preciso qualquer tipo de ajuda – ela simplesmente escorregava lá pra baixo. Passavam-se dois segundos até que ela brotasse e começasse a crescer. Essa era sempre a parte mais perigosa. Enquanto crescia, tudo ia acontecendo em volta, num tempo que para ela era completamente normal e coerente, mas que se fosse como parece ser para nós, não passaria de uma sucessão incontrolável de chuvas, neves, ventos, sóis, crises, mortes; num sussurro eterno e infinito… (As quatro estações em quinze segundos.) A flor se tornava adulta a partir do quinto segundo. No décimo segundo, prevendo sua morte, perfumava o ar e atraía para perto de si abelhas que lhe sugavam o néctar extremamente doce e que lhe fecundavam.

Eu penso ser o menino que olha a flor pela lupa, quilômetros de distância acima de seu mundo. Viajando entre o alto e o chão, não entendendo o que me faz voar, mas sem parar nunca.

Me assustei e me entristeci quando vi a primeira das flores morrer. Ela parecia gritar muito, sempre se contorcendo como se contorcem as flores ao morrerem, mas eu juro que não ouvia. Morreu uma das abelhas, também. E ela também se contorcia – abrindo e fechando as pequenas asas translúcidas.

[Aqui.]

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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