el bigodón

Penso que é viver brincando, e que se explodam as neuroses existenciais. No entanto, fui à biblioteca hoje e saí com Nietzsche na mochila. Mereço o calvário. Talvez ele venha nas letras do prussiano. Sempre tive medo de ler Nietzsche e encontrar ali tudo o que passa pela minha cabeça. Eu entendo o eterno retorno sem nunca ter lido uma única definição do conceito. Eu sei o que ele quis dizer com “Deus está morto”, sem nunca ter lido uma única linha do seu Zaratustra. Pra tentar me redimir, busquei nas estantes uma edição de “A Laranja Mecânica”. Li quase todo o livrinho em uma bundada. O tradutor sugeriu quinze páginas pra que eu me acostumasse à linguagem do livro, cheio de neologismos… Não levou tanto. Fico com a mesma impressão que tive ao ler “O apanhador no campo de centeio”: parece que foi um senhor de avançada idade quem traduziu a obra e encheu as linhas com um vocabulário mais estranho do que as palavras eslavas do Burgess.

Ao mesmo tempo, fico de canto, esperando. Esperar quanto tempo? E para quê? Por quê? Peço conselhos, ouço alguns, descarto outros – por soarem repetidos e ineficazes… Mas no fundo eu sei que quem vai ter que vencer mais essa sou eu, e só. Céus, dias assim e eu vou começar a ler Nietzsche.

Espero que venham em meu socorro.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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