sobre tudo isso…

Deixa eu mostrar uns números.

Alckmin: 246
Lula: 158
Heloísa Helena: 18
Cristóvam Buarque: 7

Resultado da votação para presidente na sessão nº. 50, na zona eleitoral nº. 333 do município de Pedreira, no interior do estado de São Paulo.
Brasileiros, perdoem os paulistas – eles não sabem o que fazem. Não sabem por que não deixam que saibam. A máquina governamental montada por esses 12 anos de PSDB (prorrogados por mais 4 anos) blindou-se de tal forma que é impossível ao cidadão comum (não os cosmopolitas e antenados metropolitanos, mas o rapaz que mora em Itapira, Brodowski, Jaboticabal…) saber o que se passa por debaixo dos panos da lide cotidiana, dentro do Palácio dos Bandeirantes.
Foram inúmeras propostas de CPIs na Alesp – nenhuma concretizada, muito pouca notícia nos jornais. Se os paulistas pouco sabem sobre os desmandos do seu governador (tanto que lhe deram uma das maiores taxas de aprovação do país), o que se dirá, então, de outros lugares?
E foram tantas privatizações mal explicadas: concessionárias rodoviárias pertencentes a parentes de Mário Covas, fábricas de fármacos em nome do novo governador, José Serra… O mal do PSDB é que eles são tão ou mais corruptos quanto qualquer outro, mas eles fazem tudo dentro das letras da Lei. Sempre. Quem iria desconfiar de um contrato de concessão pública? Eu. Mas quem apenas se preocupa com uma estrada em boas condições – ainda que isso custe quantidades extorsivas de dinheiro nos pedágios infinitos -, está pouco se lixando. Aliás, ouvi o Serra dizendo isso (falando sobre as famigeradas PPPs): não importa de quem seja, se do governo ou da iniciativa privada, o que importa é que seja um bom serviço. Ele falava sobre estradas, eu o vejo falando isso sobre presídios, universidades, hospitais… Tudo vai sendo sucateado aos poucos e, também aos poucos, vai sendo incutida no povo a idéia da “incompetência” do estado em prestar aquele serviço. Qual a solução? Privatiza-se.
Enfim. Dizem que tem-se os governantes que se merece… Não sei. Acho que tem-se os governantes que nos convencem a termos. Constrói-se a imagem de políticos. Esses, por sua vez, são meros fantoches manipulados por mãos hábeis, não têm qualquer preparo, não têm qualquer compromisso com o todo da sociedade, não entendem (ou preferem não entender) a responsabilidade de um homem público… Falo de José Serra, de Alckmin, de Garotinho, de Lula, de Enéas, de José Genoíno… Falo de um país que caminha para um segundo turno para as eleições presidenciais entre dois partidos que se aproximam em convicções equivocadas e que se distanciam de questões de interesse nacional (nem sabem mais o significado dessa palavra tão surrada), suprapartidárias, não-ideológicas… Questões que matam gente pobre em periferias esquecidas, em pequenas cidades esquecidas; que destroem cada vez mais a relação do cidadão comum com isso que interfere em tudo na sua vida, se cima a baixo: nossa maltratada Política (assim, com letra maiúscula).

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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