considerações razoáveis

Quando eu me apaixono, imagino poder ser tão livre para o mundo quanto sou para mim mesmo. Especialmente quando estou apaixonado, uma coragem qualquer me invade num rompante e eu quero (imaginando poder fazer assim) dizer ao mundo tudo o que se passa em mim. Sou muito sincero comigo. Sei, parece estranho, mas tente entender. Na maior parte do tempo, estou sozinho, o que me leva a criar verdadeiros monólogos, nos quais exponho para mim mesmo todo o enredo de uma situação, pra depois ir analisando cada pequeno fato. Não minto nem finjo pra mim mesmo; conto-me tudo. Mais alguém faz isso? (Minha cabeça diz que todo mundo.) Fica, então, explicado o mecanismo da minha auto-sinceridade.
Hoje quis explicar ao mundo meus motivos. Quais motivos? Então. Pensei, repensei e acabei concluindo que essa explicação me satisfaria razoavelmente apenas se eu dissesse nomes e tecesse comentários detalhados sobre cada um dos personagens da história. Resolvi não fazer isso.
Vem daí a incrível necessidade quase física de alguém que me ouça. Também não podia ser um alguém qualquer – já que tenho uma imensa preguiça de começar toda a história de novo. Viria muito bem a calhar alguém que conhecesse boa parte da situação – nomes e tudo.
Porque, veja, eu estou apaixonado por uma moça que não gosta de mim, e que, por sua vez, gosta de um dos meus melhores amigos. Ela sabe disso. Ele sabe disso. Eu mesmo fiz questão de aproximá-los pra que eles tivessem uma conversa franca sobre tudo o que vem acontecendo. Aparentemente, eles estão bem. Eu, aparentemente, também. Mas, lembra?, eu costumo ficar muito tempo sozinho; e nesses momentos, não minto pra mim. Então, pra mim, vendo de dentro, pareço muito mal.
Nada que eu não vá superar, claro. O tempo sara tudo; e ainda aproveita pra pôr as coisas de volta em seus devidos lugares. Só estou dizendo por que preciso pôr isso pra fora. É como se esse texto estivesse sendo ditado por mim num divã, pra uma pessoa sentada ao lado que estivesse segurando um pequeno bloco de notas e que de tempos em tempos me assinalasse sua obsequiosa atenção com um “uhum” suspirado.
A diferença é que não preciso pagar por isso. Vê? Mantenho um pouco da sanidade necessária…
Há um bom punhado de dias ela (a moça) vem sendo a mulher mais linda e agradável e espirituosa e incrível do mundo. Hoje, comer pastel com ela na feira-livre, só reforçou essa impressão. Mas o acaso tem das suas. Acredito que ela estaria mais feliz (não que não estivesse, somos bons amigos) se acompanhada do outro personagem dessa novela.
O modo como o cabelo dela não respeitava a ordem imposta pelo elástico que insistia em prendê-lo num rabo-de-cavalo foi absolutamente encantador. Escapavam ao elástico algumas pequenas mexas… Foi quando percebi que permaneço apaixonado, apesar de toda a irracionalidade da opção.
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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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