“Non ci fosse più niente più niente al mondo”

Eu fico olhando pra parede na qual se apóia o computador, dublando “The Blower’s Daughter“, do Damien Rice, esperando que a parede esboce a reação que eu gostaria de ver no rosto da moça; em cujos olhos eu me fixaria, fustigando-os com uma dor profunda enquanto cantaria sofregamente cada estrofe, mastigando as palavras, repetindo os versos com uma expressão indistinta – um misto de raiva e saudade, vontade de que continue, mas sem a esperança necessária.

Fuckin’ Sad Song” foi o comentário que veio junto com o arquivo mp3 da música. Alguém, noutro canto de mundo, sozinho e ouvindo essa mesma canção, achou por bem anotar a sensação que toda aquela situação lhe passava. Eu, de minha parte, prefiro achar que essa música é feita de um sentimento semelhante à raiva. Vejo alguém que acreditou e foi obrigado a admitir sua derrota. Se é de fato uma derrota a perda de uma ilusão. Somos responsáveis por elas? Sei lá. Sei que crio as minhas com um estoque farto de alimentos. E elas crescem, crescem, ficam imensas e me convidam pra dançar numa noite de estrelas e luar – tudo junto. Não pode? Pode. Porque eu quero. Lua e estrelas.

Viver em cidade pequena tem suas regalias. Eu vejo Lua cheia e estrelas juntas, num mesmo céu. Sob esse céu já chorei, já sorri, me desesperei, busquei apoio que não veio.

Mas o que eu to dizendo?

Carla Bruni. Agora ouço Carla Bruni. Francesa que canta uma música em italiano. Le ciels dans une chambre.

Quand tu es près de moi,
Cette chambre n’a plus de parois,
Mais des arbres oui, des arbres infinis,
Et quand tu es tellement près de moi,
C’est comme si ce plafond-là,
Il n’existait plus, je vois le ciel penché sur nous… qui restons ainsi,
Abandonnés tout comme si,
Il n’y avait plus rien, non plus rien d’autre au monde,
J’entends l’harmonica, mais on dirait un orgue
[…]

Quando sei qui con me
Questa stanza non ha piu pareti
Ma alberi, alberi infiniti
E quando tu sei vicino a me
Questo soffitto, viola, no
Non esiste più, e vedo il cielo sopra a noi
Che restiamo quì, abbandonati come se
Non ci fosse più niente più niente al mondo,
Suona l’armonica, mi sembra un organo
[…]

Non-sense. Queria conseguir. Culpa do sono, da montanha de coisas pra fazer, Dela, de mim mesmo. Sou meu maior problema.

Inferno. Inferno frio, quente-frio.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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