No limite…

Eu não assisto a todos os filmes que gostaria no cinema. Em alguns casos isso tira um pouco da graça do filme, noutras nem tanto. Filmes pipoca precisam do cinema. Filmes nem tão pipoca assim, não. Ano passado, puta pindaíba, não assisti a nenhum – ao menos, nenhum dos que concorreram ao Oscar esse ano. Entre eles, Crash.

Não gosto de saber a história do filme antes de assisti-lo. É quase cômico me ver fugindo das resenhas e opiniões daqueles que viram antes de mim. Mas nesse caso, no caso de Crash, não consegui e ouvi bastante gente opinando. Entre aqueles que opinaram, alguns disseram que o filme seria um amontoado de clichês, o que o tornaria extremamente generalizante, banal, coisas assim.

Assisti ao filme hoje. E, sim, ele é feito de clichês, de generalizações. O negro, o latino, o oriental, o turco (confundido com árabe), o branco… É uma generalização da sociedade norte-americana. Óbvio. Não, eu não vou inventar a roda. A única coisa que quero acrescentar às análises do filme, tanto tempo depois, tantos adendos depois, depois de tanta gente ter falado, é o seguinte: criticar a generalização do filme e esquecer o retrato (nada ficcional) que ele mostra, é tapar o sol com peneiras bestas e preferir não ver a mensagem que esses “clichês” todos passaram no 1º de maio último.

Sem discursinho… só um adendo extemporâneo.

Há que se olhar aquele país com olhos menos odiosos e, também, menos admiradores. É uma nação fantástica, que tem em sua gênese as melhores aspirações que séculos de conhecimento humano produziram, que tem por princípio básico a liberdade acima de tudo (nem um idioma ofical previsto na constituição eles têm), mas que tem problemas graves, sérios, acobertados ou excessivamente mostrados – depende de quem segura a manta. Os Estados Unidos é, em tese, o melhor que se pode ter em termos de democracia, mas vê todas essas conquistas ameaçadas por fanatismos ideológicos de toda sorte (o presidente Bush resiste à idéia de traduzir o hino nacional para o espanhol dos imigrantes latinos, apesar de não haver idioma oficial determinado na constituição).

O Pedro Dória, no NoMínimo, escreveu sobre esse aspecto da história contemporânea dos EUA. Não quero me comparar a ele nem a ninguém. Só escrevi o que pensei depois de assistir a um filme que distrincha os clichês formadores da sociedade americana e (principalmente) a relação da sociedade com ela mesma…

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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