Comentário postado no site sobre futebol da Lelê, …

Comentário postado no site sobre futebol da Lelê, “Invendável e imprestável“.

Tive medo. Ainda mais porque ouvi no rádio – não tenho TV por assinatura – e, portanto, precisei imaginar tudo. Tive medo pelos torcedores, medo pelos policiais (que não tinham nada a ver com o imbróglio), medo pelas pessoas outras que não participaram da revolta mais óbvia, medo de pensar que eu iria me sentar na arquibancada amarela (e eu estava feliz por isso, ia cantar com todos os gaviões, fazer parte de tudo aquilo). Tive medo por saber que você estava lá, Lelê… A cada repetição das imagens na TV, no “day after”, só conseguia ficar ainda mais triste. Pensei em cada um daqueles caras da Gaviões levando borrachada, pensei no policial que se machucou sério, pensei nos pais que nunca mais levarão os filhos a estádios – como o meu não me levou -, pensei em tanta coisa. Não tenho vergonha pelo que aqueles caras fizeram. Em momentos como aquele a cabeça esquenta, o sangue ferve, a razão se esvaece. Fica a raiva. A indignação. A humilhação por ter perdido em casa para o mesmo time que nos tirou da Libertadores noutra época, cujo treinador saiu fugido do Corinthians há um ano. Mas vergonha por ser corinthiano, nunca. Preferia que a raiva tivesse sido transferida para outros protestos – necessários -, que talvez resultassem em algo mais concreto.

O Dualib precisa sair, o Kia precisa sair, a democracia precisa reinar no Corinthians mais uma vez. Se eu tivesse pulmões suficientes, gritava pra que todo mundo ouvisse e chamava todo mundo à razão. Razão que falta nessas horas – eu entendo e por isso não me envergonho jamais; apesar de não concordar com vandalismos. Prefiro acreditar que o Corinthians será sempre maior que fanatismos, desonestidades, falcatruas, ladroagens e permanecer firme no propósito de amar esse time como sempre amei.

Lelê, espero que você se recupere da melhor maneira possível e que me perdoe pelo imenso comentário – não quero fazer dessa sua caixinha (mais) um palanque. Eu só precisava dizer.

Beijo, abraços.

Um corinthiano.

Como eu queria pulmões mais fortes, mãos mais firmes, braços longos; queria poder fazer algo que realmente resultasse em mudanças. Mas talvez apenas por querer, por ser diferentes daqueles que efetivamente podem, eu seja um elo a mais numa corrente – que, unida, pode.

Não importa como ou por que, importa que é sempre. Apesar dos pesares.

Anúncios

Sobre thiago gonçalves

se tanto.
Esse post foi publicado em la comedie des jours. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s