bolívia

Me impressionou ver o presidente boliviano, Evo Morales, falando hoje no programa de entrevistas “Roda Viva”, produzido pela TV Cultura de São Paulo e retransmitido para todo o país pela Rede Pública de Televisão.
Esse senhor terá pela frente problemas grandes com os quais se ocupar (um país empobrecido, o maior deles); no entanto, me ocorreu um em particular, enquanto assistia à entrevista.
Lá dentro da Bolívia o presidente conta com apoio indiscriminado da população – fato mais do que comprovado pelos resultados das urnas. É um presidente índio; algo que nunca acontecera na Bolívia dos aymarás, um país feito de/por índios. Isso não se discute. Se alguém lá de dentro grita, são as pequenas elites, herdeiras do passado colonial, e as empresas multinacionais (muitas delas brasileiras), que temem a chegada de um ex-cocalero, com matiz socialista, ao palácio de La Paz.
O problema que eu enxergo é justamente a dificuldade que um presidente com essas características encontrará fora de seu país. O grande desafio de Morales é fazer com que lhe levem a sério; fazer com que não olhem para esse momento boliviano como se olhassem para um tropeço da história. Quem desmerece esse momento, faz questão de não enxergar certas obviedades.
Tenho a impressão de que um presidente índio, de um país latino-americano, um dos mais pobre dentre eles, é motivo de excitação no resto do mundo, mas uma excitação eufórica, como quando uma criança vê pela primeira vez um elefante. Ela fica na expectativa do próximo movimento daquele troço que sai da cara do bicho, não sabendo onde pôr o pirulito que traz consigo. Pronta pra soltar um grito histérico…
Não sei bem onde estão os culpados por esse cenário – se é que existem. Preferia viver num tempo em que se festejasse sinceramente a chegada ao poder de um representante fiel às massas populares de uma nação. E não como agora, quando isso se torna uma atração de um circo triste.
Eram cinco ou seis jornalistas com olhares apreensivos, se acotovelando pra fazer suas perguntas para aquele presidente que veste roupas tradicionais, admirador da Cuba de Fidel Castro e da Venezuela de Hugo Chávez – e o mais espantoso: que ainda tem forças pra enxergar um mundo de iguais entre iguais.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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