bolseiro

“Lá e de volta outra vez.” É mais ou menos o que tem-me definido ultimamente. Como se estivesse em meio a um furacão – eu mesmo esse tal furacão -, a cada minuto me encontro diferente: mais confuso, mais certo, mais forte, caindo aos pedaços, implorando por uma estaca fincada no peito, desejando a vida ardentemente. Concomitantemente.

Não é caso de dizer que me sinto triste, pois não estou. As obrigações (que me obrigam, de fato, a doar-lhes toda minha atenção) me eximem da prática de meu passatempo favorito: enlouquecer-me – por conta de tudo ou de nada, (in)depende.

E enlouqueço. Enlouqueço (ou enlouqueci) de amor pela mulher da minha vida, enlouqueço de dor por remoer (se assim me dou permissão) a cada minuto o “Sim, estou namorando” que ouvi dela, enlouqueço uma loucura sadia quando me perco em questões (ir)relevantes sobre assuntos que pouco interessariam a pessoas normais, enlouqueço tentando – porque tento – me entender…

Nesse processo, descubro (percebendo com certo pesar) que durante toda a vida, nada passará batido por mim. Nada será assimilado, se esse for o caso, da maneira mais simples e direta. Haverá, sempre, o processo no qual dou toques pessoais (cruéis ou não) a problemas e situações que já são minhas.

Desejo minha Melinda. Sempre me senti atraído por mulheres problemáticas. Não que seja algo premeditado, racional. Mas é um fato: todos os meu relacionamentos me puseram ao lado de mulheres problemáticas. E tudo bem – porque, não sei, talvez pretensão minha, sempre achei que de alguma forma eu poderia ajudá-las. Mesmo quando nada aconteceu, se não passou de fantasia, a ilusão funcionava baseada nessa regra. Engraçado é recordar tudo o que já passou e perceber que, ao fim e ao cabo, o ajudado fui eu. Quase sem exceções.

E no entanto eu não paro, não desisto, não me entrego… Queria saber por que me sinto flutuando nesse momento. Queria saber por que não posso simplesmente negar essa minha condição de enlouquecedor. Queria a vida mais simples, não ter tanto sobre o que pensar.

Queria ser mesmo o scatterbrain que vêem em mim.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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