Domingão

No domingo saí com meu irmão e um grande amigo. Fui até Cotia conhecer um templo budista que existe naquela cidade. Informações mais detalhadas sobre o templo, coisas mais relacionadas à religião mesmo, quem quiser, por favor, visite o site do lugar. O que eu sei dizer sobre tudo aquilo é que brota do chão uma sensação muito agradável de calma e paz. Estávamos no meio da região metropolitana de São Paulo, a Raposo Tavares passando a menos de um quilômetro dali, lá longe, nos morros, deu pra ver um aterro que deve servir para despejo de restos de material de construção, quer dizer, tinha tudo pra ser apenas um engodo turístico, pra atrair paulistas no fim de semana. Mas é exatamente o contrário disso.

Quando chegamos, o silêncio foi quebrado por um mantra da letra O (segundo me disse o amigo, que entende da religião e seus costumes). Uma canção envolvente, que convidava ao silêncio e à contemplação. Algumas pessoas (poucas, o que me deixou aliviado), chão de granito, telhados em estilo chinês, balaustradas entalhadas com motivos budistas, ideogramas chineses por toda parte (sem tradução, o que também me aliviou, ou seja, aquilo não é um lugar essencialmente turístico), e, ao fundo, um som de água caindo em algum lugar. Descobri depois que era em cima de um Buda típico da Índia (que não senta na posição de lótus, como os que a gente está acostumado a ver e que tem um nome dificílimo que eu não me lembro).

Há lindos jardins, estátuas espalhadas por todos os cantos, cada qual com seu significado, muitas árvores, lagos com tartarugas, lugares especiais para quem cultiva a meditação… Enfim, no meio de São Paulo, um templo budista tal e qual se encontram noutras plagas. É um lugar fascinante. E tem seus monges. Vestidos de preto, cabeças raspadas, sandálias nos pés – sempre sorrindo. Naquela hora, uma mestra estava dando uma palestra, da qual assistimos alguns minutos – e na qual ela repetiu o que todas as outras religiões bem intencionadas dizem, em chinês, claro (mas com tradução simultânea para os ocidentais que estavam lá).

Voltarei mais vezes, com certeza. Pretendo comprar uma pequena pulseira (semelhante a um terço de pulso) que os budistas seguram e que serve para recitar mantras: a cada bolinha, um canto. Sempre quis, e lá eles vendem. Não sei bem porque, mas tenho um apreço muito grande por essa religião, e tenho a impressão de que se um dia eu precisar novamente me apoiar em alguma coisa “para além”, recorrerei ao Budismo.

***

Além disso, fomos ao jogo do Corinthians contra o Palmeiras, no Morumbi. Bem próximos os programas, não? Ficamos na arquibancada vermelha. Eu queria a amarela, pra ficar próximo da Gaviões, mas não deu. De qualquer modo, assistimos a um belo jogo. Obviamente, o Corinthians foi prejudicado por uma arbitragem falha, que não viu pênaltis e viu (ou ouviu, sei lá) faltas. No momento da confusão do ponto eletrônico no ouvido da bandeirinha, eu estava embaixo da bandeira da Camisa 12, não vi o imbróglio, e levei alguns minutos pra entender o que tinha acontecido – só vi o placar mudar de um glorioso 2, pra um bandido 1.

Na saída, alguma confusão porque os torcedores da Mancha resolveram andar na mesma avenida que os corinthianos. Nada muito grave. Talvez tenha sobrado um ou outro ponta-pé pra ambos os lados e só. Tinha tanto policial que ninguém ia se meter a besta.

Lembrei da minha mãe contando como a avenida Giovanni Gronchi se transformou num mar preto e branco, com milhares de bandeiras tremulando, no terceiro jogo da decisão do Campeonato Paulista de 1977. Morumbi lotado, gol do Basílio, expulsão do Ruy Rei (justíssima, diga-se), fim de um jejum macabro de vinte e três anos do Corinthians e perpetuação da Ponte Preta como um dos clubes mais antigos do país sem, no entanto, ter inaugurado sua sala de troféus.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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Uma resposta para Domingão

  1. Mariana disse:

    Olha, te entendo Thiago
    Sinto o mesmo em relaçao a pedreira e, sei lá…
    Bem, e diário não tem sexo… Expressar sentimentos em um papel não é nada vergonhoso… Há pessoas que, mesmo ‘velhas’, tem muito o que aprender

    Se cuida!

    ;)

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