S.A.*

Boa noite, eu me chamo Thiago, e tenho um depoimento pra compartilhar.

(Em coro: “Boa noite, Thiago!”)

As comédias românticas que o cinema americano descobriu sei lá quando têm sempre os mesmos ingredientes. Duas pessoas que teoricamente não terminariam juntas, no desenrolar da coisa toda, nos dão de presente um final feliz clássico. Geralmente, são indivíduos bem sucedidos, com carreiras estáveis em alguma grande empresa, morando em casas finamente decoradas, cheios de equipamentos modernos, tudo muito limpinho e cheiroso – ou seja, vendendo direitinho a imagem do sonho americano; mas não é isso que importa.

Importa o fato de que eu vi mais uma dessas. Céus, eu não resisto! A da vez foi “Hitch”, com o Will Smith. Ele entende tudo sobre o jogo da sedução, sobre as mulheres e seus sinais indecifráveis, sobre a boa vida e as altas rodas, é, portanto, o deus mais louvado de Nova York. Contratado por homens apaixonados por mulheres teoricamente inalcançáveis, o gajo se especializou em trazer os mancebos à Luz do Conhecimento sobre o universo feminino, criando oportunidades dos rapazes encantarem suas escolhidas segundo alguns macetes que ele foi aprendendo no dia-a-dia da dura luta pela sobrevivência na selva das paixões que é a vida humana. Profundo, muito profundo. Hm…

Tudo isso pra fazer a gente entender que regras não existem quando se trata de relacionamentos. Isso porque quando chega a vez desse Doutor em Amor se apaixonar (pela “mocinha do filme” – ainda se usa dizer isso assim?), ele percebeu que amar vai além de determinações pré-estabelecidas, que o amor puro e sincero surge como uma avalanche de sensações que animam o corpo das maneiras mais surpreendentes. Esquenta tudo. (Tudo mesmo.) E daí, no fim, e se não quer saber o fim (mas você já sabe), pára de ler, ele e ela ficam juntos. Oh! Demonstre surpresa.

A falta de originalidade é imensa. É sempre a mesma conversa, sempre os mesmos perfis dos personagens, sempre os mesmos cenários e, no entanto, eu assisto. E, ahm, os olhos marejam. Vergonha! Não me olha assim! É vergonha compartilhada. Claro que é! Você sabe bem… Desde o “Uma linda mulher”, com a Julia Roberts, é vergonha compartilhada. Aposto que escondeu o rosto no fim de algum desses filmes pra, sorrateiramente, enxugar as lágrimas dos olhos. Ah, vá! Não minta! Eu sei. Eu vejo. Não fuja da verdade.

Eu chorei. Mas estou pronto pra mais um dia – um de cada vez.

‘Brigado.

* Solteiros Anônimos.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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