aspas e parênteses.

O que eu quero da vida é pouco. Um pouco que me faria caminhar sorrindo – e já que a idéia e viajar: caminhar sorrindo num parque, em pleno outono, nalgum lugar gelado, ou seja, vento frio, árvores desfolhando, tingidas de dourado e amarelo…

Eu quero ensinar. Aprender para ensinar – simples assim. Quero tentar mudar essa história do hermetismo acadêmico. Pretensão imensa. Principalmente porque de acadêmico eu tenho apenas uma carteirinha com uma foto (esquisitíssima) e um prazo de validade (bem curto), por enquanto. Mas há planos e vontades. De que me adiantaria aprender tanto sobre alguma coisa e me encastelar nesse conhecimento? Não vejo sentido na arrogância das pessoas que sabem e não dividem isso de uma maneira convidativa, eu diria. Se eu sei, quero mais é que outros saibam. Desde que queiram aprender, eu ensino. Essa é uma vontade antiga, que, na medida do possível, sempre tentei pôr em prática. Talvez a profissão em que ando me metendo seja, de fato, meu métier (ficou parecendo um trocadilho).

Além disso, se não for pedir em demasia, quero a vida embalada uma ótima trilha sonora. Quero meus rocks indies, meus cantores e cantoras de Jazz, quero minhas big bands e minhas orquestras sinfônicas – cada qual a seu momento, com seu clima definido, e tudo muito ao sabor dos ventos. Ah! Não dispenso, também, minhas sessões infinitas e livres de dança hipnótica – o mais próximo possível das imensas caixas de som, enquanto elas tocam o fino da música eletrônica. Acredito que os estilos musicais, cada um deles, exija um momento propicio à sua apreciação. Me considero sortudo por ser um “mero” apreciador de música. Sempre quis aprender a tocar flauta e violoncelo (os dois instrumentos mais lindos de uma orquestra, na minha humilde e leiga opinião), mas não pude (ainda). No entanto, isso não me frustra. Conseguir ouvir música e “apenas” senti-la, sem a obrigação inconsciente e constante de julgar a métrica, a perfeita harmonia, a correição extrema, me liberta e eu sigo feliz sendo um ouvinte. Um “ouvidor” de música.

Da vida, não espero nada. Quero, o quanto antes, me desfazer do fantasma das expectativas que me assombraram durante anos e que sempre me jogaram no mais profundo dos buracos. Agora, não esperar, não significa a ausência de ambições. Tenho meus objetivos – e, na base da humildade vou lutando pra conquistá-los. Não é fácil. Mas é tão bom quando eles, enfim, chegam.

Não é pedir muito… Quer dizer, eu não peço nada. Acho que seja mais correto dizer: não preciso de muito. Me dêem neve, um bom vinho, um disco do Miles, outro do Belle and Sebastian, uma casa de espetáculos e uma sala de cinema próximas e tudo bem…

Amor? Hm. Esse eu não procuro mais. (Não funciona.)

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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