besides dreams…

É um atributo da vida a facilidade com que as coisas, sem mais avisos, mudam. Nem sempre é um atributo dos homens (enquanto seres pensantes – fato que lhes impinge responsabilidades às vezes maiores do que podem carregar) a facilidade na tentativa de compreender essas mudanças.

Os últimos dias têm-me feito pensar muito sobre como a vida toma direções absolutamente diversas daquelas que esperamos. Não foram poucas as vezes que ouvi sobre isso em palavras ditas por pessoas mais velhas, que já não se surpreendem mais com esse fato – uma vez que a experiência da vida humana caleja tal e qual a enxada engrossa a mão do velho lavrador. E conforme vou vivendo e experimentando meus próprios momentos, entendo a verossimilhança desse veredicto.

Há meses atrás, encontrei o amor de minha vida. Não sei como funciona para outras pessoas, mas eu tenho certeza de que é ela, de que nada, nunca será maior que esse amor. Certeza obviamente relacionada à minha pouca idade, à minha pequena experiência da vida humana. Mas hoje, é ela. A impressão (verdadeira) que tenho, é de que será ela pra sempre.

Então, como num filme, um ótimo filme, com roteiro elaboradíssimo e personagens altamente trabalhadas pelos atores, me vejo obrigado a abrir mão desse amor. Cabe questionar se a gente abre mão de algo que, efetivamente, nunca esteve em mão alguma. Cabe, ainda, perguntar a quem saiba responder, qual é o sentido de tantos revezes. Por que eu sempre quis quem não poderia ter? Algumas perguntas, apenas – não acredito em nenhuma resposta que me derem; por mais bem intencionados que estejam os amigos.

Não foi platônico. Ela sempre soube. Qual é a definição de amor platônico? Pelo pouco que conheço de Platão (alguém que conheça melhor, por favor, corrija meus equívocos), sua teoria separava aquilo que seria o mundo real, do mundo das idéias – sendo que o primeiro seria uma mera representação falha do segundo. Amor platônico é aquele em que amamos alguém, sem que a outra parte tome conhecimento? Quando criamos um mundo ideal em nossas mentes, com risos e longos beijos, enquanto que na realidade, o que temos é nada? Se realmente for isso, eu não a amo platonicamente. Nunca tive expectativas – que eu entendo como sendo inverdades criadas a partir da idealização de um fato. Havia, isso sim, algumas esperanças, que surgiram aliadas à própria situação. Eu a amo, a queria perto de mim, sem esperanças de que isso poderia acontecer, qual o sentido de existirem esses sentimentos?

Eu sonhei em poder estar com ela. E por sonhar, sofri ao ter que renunciar a esse amor. Mas por sonhar, por acreditar no sonho (ter esperanças na sua realização), fui feliz.

É uma história complexa. Se fosse mesmo um filme, duraria mais de três horas, com certeza.

Agora eu volto ao início e reafirmo que nem sempre é fácil aceitar as constantes mudanças que acontecem por toda a vida. Constantes mudanças que me impendem de aceitar a idéia de destino. Alguém, em algum momento, me disse que ela estava no meu destino, que iríamos ficar juntos – “tinha que ser assim”. E de repente, não. Uma escolha, um sim ou um não, e tudo muda.

Triste? Um pouco. Mas satisfeito por ter conseguido, ao menos dessa vez, fazer uso da minha racionalidade pra entender que uma época interminável de dor e ranger de dentes em nada me ajudaria; por ter podido perceber que tentar aprender com tudo isso, antes que o desespero tomasse conta, valeria muito mais.

Cansado. Sozinho – ainda. Mas arrisco a dizer que isso já não é mais um problema tão grave quanto foi noutras épocas.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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