Os Fodôes.

Eu li lá no Smart que, segundo o placar do Technorati, um blog é criado por segundo em algum lugar do mundo. O post diz mais coisas, mas que agora não importam.

Um blog por segundo. Óbvio que nessa montanha de bytes, a imensa maioria não vale um clique. (Também não é hora pra autocrítica.) Mas alguns valem, algumas pessoas realmente têm o que dizer, e dizem. No segundo grupo, uma parte foi adjetivada por minha conta mesmo; já a outra parte, eu ouvi dizer que merecem adjetivos e loas e reconhecimentos e congratulações e…

Eu fico bastante preocupado. É que não entendo onde as pessoas enxergam tantos motivos para tanta louvação. Com certeza é algum problema meu – só pode. Talvez imaturidade, talvez algum transtorno cerebral – que me torne incapaz de compreender coisas tão elevadas -, talvez os dois, ou outra coisa. Não sei o quê.

A mim, esses blogueiros-fodões, na mais das vezes soam um tanto arrogantes, cheios de empáfia. Mas não só: parecem conviver com a consciência do quanto são bons. Uma consciência que não existiu sempre; que acabou sendo criada pelas hordas de leitores ávidos por fazer seu elogio brilhar mais nas caixas de comentários.

Se o fodão diz que sim, todo mundo diz que sim; se o fodão diz que não, todo mundo, em coro, diz que não. E se o fodão inventa de criticar algo, então?! É como se aquilo tivesse sido sempre tão óbvio (tão ruim ou tão bom), mas que os olhares comuns, “não-fodões”, por assim dizer, nunca poderiam captar. E chovem partidários do fodão aos cântaros. É engraçado.

Nos últimos dias encontrei dois ou três exemplos disso. Não vou citar nem linkar ninguém porque não quero confusão no meu quintal. Mas o fenômeno abunda. Vou me esforçar pra tentar entender. Na verdade, me esforço há um bom tempo já. Leio, releio, presto mais atenção, procuro por detalhes subliminares, qualquer coisa que me explique o motivo de tão grande exaltação. No fim, o que encontro é só mais um texto de certa forma ofensivo, satírico, irônico, que poderia até insultar algumas outras pessoas.

Como confiar no que se lê na Internet? Esses blogueiros podem ser personagens criados pela pessoa que os encarna – numa tentativa até que bem sucedida de não ser o que se é, mas o que se deseja. É um comportamento que eu já julguei e por causa do qual bati muitas vezes com a cabeça na parede; hoje não mais. (Vê? Acho que já cresci um pouco.) Agora eu gostaria de conseguir entender. Existem algumas teorias que criei, mas nada que valha nota. Na maior parte do tempo eu só acho meio patético essas pessoas que se levam tão a sério e (pior) outras, simples leitoras, levando os fodões a sério e entoando cânticos, recitando odes, criando filhos homônimos aos fodões – batizados em homenagem aos caras… essas coisas.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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