Já ouviu falar em Bamako? É engraçado ver o jeito…

Já ouviu falar em Bamako?

É engraçado ver o jeito como as pessoas se referem àquele continente. Dizem “a África”, “na África”. Diferentemente de quando se referem a outro lugares, quando especificam muito bem de onde estão falando. Ainda que “América Latina” sirva quase do mesmo jeito, ainda assim, quando alguém interessado pensa nisso aqui, dificilmente confunde Bolívia com Argentina. Lá não. É tudo “a África”.

Aqueles países e suas fronteiras foram inventados num tempo em que as nações européias acharam por bem retalhar o mundo inteiro entre si e transformar alguns desses pontos numa espécie de reserva de mercado – tanto de demanda quanto de recursos. Repara na fronteira do Mali (cuja capital é uma cidade antiqüíssima, chamada Bamako) com a Argélia ou com a Mauritânia… É uma linha reta no meio do deserto do Saara.

Se você fosse um berbere e estivesse conduzindo sua caravana de camelos por ali, se preocuparia com o nome do lugar ou com o carimbo no passaporte? Não. É tudo abstração. Não que outras também não sejam da mesma forma, mas é que eu fiquei vendo fotos de Bamako hoje, então meu problema é com aquelas fronteiras. (Dizem até que os franceses, numa tentativa de tornar o troço mais oficial, mais real, esticaram milhares de quilômetros de cordas presas em barris pelo deserto… “Daqui pra lá, seu; daqui pra cá, meu.”)

Por que, diabos, ver fotos de Bamako? Porque aconteceu ali também o Fórum Social Mundial, não apenas em Caracas. 20mil pessoas nesse encontro de Bamako. Impressionante, não? Um continente deixado à mingua, e a sociedade civil ainda tentando mudar alguma coisa. Achei bem legal. Porque se não for essa terceira parte do tripé, estamos perdidos. (As outras duas pernas são as empresas, o mercado, os capitais – dê o nome que melhor lhe aprouver – e os Estados.)

Não acabou ainda – pra desespero de alguns. Agora em março vai acontecer mais um “pedaço” (se é que posso falar assim) do FSM, lá em Karachi, no Paquistão. É esperar pra ver – e, tomara, começar a se mexer.

***

Muito pano pra manga essa história das caricaturas. Gente que concorda, gente que discorda… Em alguns casos, só falta pendurar um bandeira da Dinamarca na janela de casa ou sair pelas ruas de turbante. Eu continuo achando que a publicação foi um falta de respeito para com aquelas pessoas muçulmanas que nada tem a ver com o estereótipo do árabe assassino – representado de maneira jocosa no desenho de Maomé com uma bomba na cabeça (que, aliás, está enfeitada com um arabesco no qual se lê “Alá”) -, mas não posso negar que as reações violentas de parte do mundo islâmico acabaram por tirar toda a razão que eles tinham de protestar “civilizadamente” contra aquilo que não lhes agradou. E pronto.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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