7ª Arte.

É uma discussão muito freqüente que eu tenho com algumas pessoas que conheço: eu não gosto de filmes que explodem. Não adianta. Já tentei assistir a vários deles, mas, definitivamente, não consigo.

O que eu chamo de filmes que explodem? Qualquer coisa que tenha mais efeitos especiais, explosões, metralhadoras, lutas intermináveis, do que um enredo convincente, atuações minimamente trabalhadas, um pano de fundo repleto de possibilidades que possa ensejar um bate-papo depois da sessão…

Apesar disso, reconheço a necessidade de filmes que explodem. O último que tem-me feito rolar na cama de medo é essa nova versão do King Kong. É um filme feito pra divertir – e só. Tem milhões de efeitos especiais, um macaco gigantesco lutando contra dinossauros, ao que parece, numa ilha perdida num oceano qualquer com alguns humanos selvagens, vulcões, mortes, clima de suspense; deve deixar as pessoas grudadas nas cadeiras do cinema, loucas pela próxima seqüência, mal conseguindo segurar o pacote de pipoca. Quero dizer, é emoção pura. E eu entendo isso. A bem da verdade, vez ou outra, sinto falta de uma carga mais potente de adrenalina – mas, infelizmente, eu não pagaria uma entrada no cinema (nem meia) pra assistir a esse filme.

Espero não estar sendo preconceituoso. Na minha cabeça está muito clara a distinção entre uma merda de filme e esse, do macacão. Nâo parece ser uma merda. Pessoas que sabem das coisas elogiaram a produção, a fotografia, as atuações… É só que eu não gosto. Não sinto a menor curiosidade de assistí-lo.

Antes que digam alguma coisa (apesar de que, se for pra dizer, dirão), não tenho nada contra mega-efeitos especiais e mágicas visuais. Um dos filmes que mais revi em toda a vida – a trilogia do Senhor dos Anéis – é um blockbuster da melhor qualidade, carregado de mentirinhas virtuais. Só que é diferente. E com um pouquinho de boa vontade, a maioria vai concordar comigo.

Muito claro o seguinte: eu não entendo quase nada sobre cinema. Sou um espectador satisfeitíssimo nessa minha condição de leigo. Alguns filmes me interessam filmes unicamente por eu imaginar que, de alguma forma, me trarão mais do que alguns minutos de pura distração. E quando gosto verdadeiramente de um filme, acontece por razões irracionais. Nada de me meter a falar sobre a fotografia desse filme, as falhas no roteiro desse outro, a atuação chulé daquele ator ou atriz. Quero mais é sentar no cinema (sem pipoca), no melhor dos silêncios, assistir ao filme e me dar alguns minutos, logo que ele termina, enquanto sobem os créditos que a maioria despreza, pra pensar sobre o que acabei de ver.

Fiz esse post na seqüência de um comentário que deixei no blog do Alex Castro. Lá, ele diz que foi assistir ao King Kong no cinema, cercado de pessoas que vibravam a cada nova ação do filme e que isso é cinema. O que eu to tentando dizer é o seguinte: isso também é cinema. Mas é uma parte muito pequena da minha “experiência cinematográfica” (pra usar uma expressão que ele colocou lá). As emoções que eu busco não são feitas apenas de sobressaltos. Não apenas.

Eu não sou dono da verdade. Por favor, leiam isso: eu não sou o dono da verdade.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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