tentando ouvir estrelas

Não faz muito tempo, eu ainda acreditava em algo que de alguma forma sustentava as estrelas no Firmamento. Eram várias coisas, dependia do momento: às vezes pensava em meu avô, depois em minha avó, também; às vezes conversava com a lua, e acreditava em alguma cumplicidade entre eu e o astro; noutras vezes, cría na presença de uma força espiritual qualquer; quer dizer, eu mantinha uma devoção qualquer com o céu. Acreditava nele.

Há algum tempo isso passou. O céu, agora, é só um amontoado de explicações científicas, um espaço porta-detritos, uma infinita dúvida – e não consigo pensar nisso como algo bom. Me faz falta ter pra onde correr. Acho que é esse o grande problema das pessoas que, como eu, acabaram se tornando céticas. Não é bom. Diferentemente de muitos por aí, eu não me sinto orgulhoso por “ter me livrado dessas crenças”. Adoraria ter a paz de olhar novamente pro céu e ver ali uma oportunidade de ajuda, de sustentação, até mesmo de fuga…

As pessoas que conseguem acreditar em algo além, costumam sempre me reprovar, sem entender, ou melhor, sem tentar entender que não acreditar, pra mim, não é nada bom. É como uma solidão fria.

Quis conversar com as estrelas hoje, tentei encontrar aquela que eu fixara com sendo a “estrela de meu avô”, mas não logrei sucesso. Não deu. E, bom, eu precisava conversar com alguém.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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