Momento diarinho

Eu tenho prova de Sociologia amanhã. Preciso chegar na faculdade sabendo um mínimo que seja sobre os pensamentos dos senhores Émile Dürkhein, Max Weber e Carlitos (Tevez?! Não!) Marx. Não estudei nada, não li um texto sequer – a não ser aqueles que fui obrigado, já que tive que apresentar um seminário (coincidentemente, veja bem) sobre Marx.

Daí você poderia me perguntar. (Mas eu sei que você não me perguntará coisa alguma – aliás, quando dizem isso, dá vontade de levantar da cadeira e falar: “Ei! Eu não pensei nada, seu bastardo!”; mas divago…) “Por que, diabos, você, meu rapaz, um universitário brasileiro, quebrado e falido, praticamente um ‘esquerdinha fedido’ (quanta rima, oh!, quanta alegria), não empenhou alguns minutos de seu tempo tão vasto na intenção de beber dessas fontes inegotáveis de conhecimento?” Ao que eu responderia (cabeça baixa, lágrimas nos olhos, mãos atrás do corpo): “Porque eu sou um sem vergonha, vagabundo, safado, que ‘usa o dinheiro do contribuinte’ indevidamente, sem escrúpulos e feiobobochato”. E obviamente, eu estaria mentindo. Feio, sim; bobo, pô, não!

Não li nada simplesmente porque a professora não vale a pena. Sei que é quase um motivo infantil, mas pense bem e você vai acabar vendo que tem uma certa razão nessa minha (des)motivação.

Eu penso em ser professor daqui alguns anos. Professor universitário. Vou desvirtuar muitas cabecinhas inocentes e falar muito bem de personagens que fazem senhores metidos em ternos de tweed, fumando cachimbos excessivamente curvilíneos (que quase soltam bolhas!), leitores assíduos de articulistas sisudos e muito revoltados com os movimentos involuntários do status quo, mexerem-se desconfortáveis em suas poltronas de veludo e soltarem grunhidos de desaprovação. Serei um bom professor. Deixem seus filhos comigo. Deixem os meninos e meninas irem além de engenharias e medicinas que eles caminharão por lugares onde me sento – e então a gente, eu e eles, bateremos um bom papo.

Me desviei.

Eu quero ser professor, e esses anos de faculdade, além de me darem a oportunidade de adquirir base para tanto, me mostram vários exemplos de “como não ser quando se está na frente de vinte ou cinquenta alunos”. A gente acaba aprendendo muito mais dentro de uma universidade do que simplesmete geografia – você nem faz idéia… Dentre essas figuras todas, uma em especial vem contrinuindo sobremaneira para meu workshop diário. A professora de Sociologia. Ela me desestimula a aprender. Me enche o saco. Quase me faz desistir de ser o que pretendo ser. Mas eu resisto. E não estudo. Até porque, medíocre como é, só poderá fazer uma prova medíocre. Não estudo e me sinto bem por isso. Não é orgulho da ignorância. Ainda lerei muito sobre esses três nobres senhores, mas não nesse curso. Me recuso. E ponto final.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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