Sobre (muitas) possibilidades.

Há quem considere o mundo um amontoado de possibilidades que estão sempre nos rodeando, nos inspirando; se insinuando. Eu não tenho porque duvidar disso: muitas vezes é como parece que as coisas se dão.

Ontem, por essa hora, o mundo não passava de um amontoado de barulhos e luzes que faziam minha cabeça doer horrivelmente – tudo, qualquer coisa, servia para me irritar e me impedir de dormir. Hoje, agora, a cabeça já não dói mais e conclusões que pareciam inescapáveis ontem surgem menos medonhas. Sobre as infinitas possibilidades: estava assistindo ainda agora um documentário sobre um autor de teatro, o siciliano Luigi Pirandello. Ontem eu provavelmente não teria conseguido. Mas, enfim, sem digressões.

Eu pouco sabia sobre esse homem. Ainda não sei muito, mas já posso citá-lo sem medo de cometer gafes. Na peça que foi mostrada (“Henrique IV” – como o de Shakespeare, mas diferente) defende-se a tese de que cada um de nós tráz em si um mundo particular e diverso de todos os outros mundos que todos os outros e cada um carregam consigo. Baseando-se nisso, ele disse (durante a peça) que a causa maior dos problemas, das confusões, dos mal entendidos são as palavras. O que eu escrevo tem para mim um significado diferente daquele que você percebe quando lê. E é verdade. Grandes confusões podem surgir daí.

Mas, na verdade, eu me impressionei com essa idéia – dos muitos mundos possíveis – por outro motivo. Junto com a dor de cabeça de ontem, uma tristeza e uma angústia muito grande se abateram sobre mim resultado da repetição de um fato que não vejo como pode acabar sendo bom pra mim. Essa história tem dois lados: é, em grande parte, egoísmo meu; mas é também uma sina, um fado extremamente pesado e difícil de carregar. E vai acontecer de novo.

Posso estar exagerando (porque eu geralmente exagero), mas não há hipérbole alguma em dizer que essa foi uma noite muito, muito longa.

(Não sei se preciso dizer… Eu já não estou mais triste. Só tenho vontade de suspirar e repetir que “assim é a vida” – as coisas passam.)

Anúncios

Sobre thiago gonçalves

se tanto.
Esse post foi publicado em la comedie des jours. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s