Eu sou uma roda-gigante que anda. =)

“La valse d’Amélie” é o nome dessa música que ouço agora – repetindo-se várias e várias vezes. A trilha sonora que percorre todo o filme “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”. Uma valsa mais rápida, tocada com – me parece – algum tipo de instrumento de sopro, mas principalmente por acordeons. Eu assisti a esse filme na casa da Leda, junto com ela, numa sessão especial que me fora prometida muito antes de qualquer outra coisa, sob o imperativo de que eu deveria, sem maiores desculpas, apreciá-lo. Ela tinha razão. (Como na maior parte das vezes, aliás.)

Eu prefiro não dividir minhas impressões sobre filmes, músicas, livros com os outros porque nem sempre extraio dessas coisas aquilo que se espera. Algumas vezes funciona – minhas idéias “batem” com outras. Por isso quase sempre fico em silêncio para evitar explicações que a mim soam inúteis. Naquela tarde, pedi um tempo pra que pudesse falar alguma coisa decente sobre o filme. E acho que hoje entendi o que me fascinou naquela história. Vencendo essa barreira auto-imposta, vou tentar explicar utilizando outro filme que vi hoje: “Big Fish”.

Não vou contar a história desse último. Vou dizer apenas que vi nesse o que antes vira naquele outro. Qual é a graça de uma vida vivida sem o lúdico? Qual é, melhor dizendo, o sentido de uma vida que é vivida apenas com os pés no chão e a cabeça firmemente apoiada sobre o pescoço? Nenhum. Eu, pelo menos, não o vejo. Não acho que eu vá saber expressar corretamente o sorriso que me veio quando acabou o filme agora a pouco.

Eu não devo restringir tudo (a vida) a uma imensa “surrealidade”, a uma grande e fantasiosa encenação – onde o riso é uma conseqüência inescapável e o choro, na sua forma mais singela, vem apenas quando mais se precisa dele – mas, me diz, como ser apenas racional? Eu não sei.

O que me fascinou tanto no filme da Audrey Tautou foi justamente a leveza que a personagem demonstra ao lidar com situações que a gente cisma em complicar, em agigantar; como ela empresta essa leveza ao dia-a-dia das mínimas coisas e faz tudo ser belo. E essa música me faz sentir o que eu vivi naquele dia, sentado, assistindo ao filme. Preciso vê-lo de novo. Muitos detalhes me escapam. Inclusive o fim. Mas eu lembro, com um sorriso no rosto, que eu chorei (um choro singelo) nesse fim.

Não deve ser a mesma coisa que a maioria pensa do filme. Tanta gente diz que ama essa história… E devem ter seus próprios motivos também. “Big Fish” é lindo, de um jeito muito, muito parecido com “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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