Planos, humildade, Alpes.

Ser professor, eu imagino, deve ser um jogo muito sutil de momentos gloriosos e situações horríveis. As dificuldades de tão conhecidas acabaram até mesmo por tornarem-se clichês muito utilizados por aqueles que se assustam com essa profissão. Mas há as vantagens, as delícias. Eu ainda não leciono, nem acho que isso vá acontecer tão logo, mas está nos meus planos a cátedra em alguma universidade pelo mundo. Sim, pelo mundo, porque eu ainda acredito na realização de sonhos (que funcionam mais como “objetivos de vida” ou qualquer coisa assim), e é no Velho Mundo onde pretendo levar a cabo essa idéia. De qualquer forma, mesmo não sendo professor ainda, tenho cá minhas experimentações na medida em que me satisfaz ensinar coisas novas a quem está disposto a aprender. São momentos muito bonitos esses, quando consigo compartilhar aprendizados com outras pessoas.

Eu falo muito em humildade, sempre falei. Defendo cegamente a tese de que sem ser humilde, a gente não consegue chegar a lugar nenhum. Mas, o que eu tentei explicar várias vezes a quem não entende, é que não se trata daquela humildade a que se referem as grandes religiões, que impõem aos fiéis uma submissão arbitrária e incontestável perante uma força superior, seja ela Deus, Alá, ou qualquer invenção dessas, ou seja, uma humilhação, um atestado de inferioridade, não, claro que não. O que eu chamo de humildade (e que me perdoem sr. Aurélio, sr. Houaiss) é tão-somente essa consciência do saber em si mesmo e no outro e, eis o ponto, o respeito mútuo. Ser humilde é saber aprender com as outras pessoas, respeitando-lhes. Porque, veja, me parece uma imbecilidade sem tamanho negar o conhecimento do outro e julgar-se superior de alguma forma, principalmente por achar que “se não é como eu, só pode ser pior”. Uma idiotice. Enfim. Eu gosto de ensinar, tanto quanto gosto de aprender. Tento pôr em prática essas idéias que tenho.

Hoje, até umas sete horas, ela nem sabia que Liechtenstein existia. Pois bem, agora sabe até que a capital é Vaduz e que com uma certa determinação, quase se pode cruzá-lo num só dia de caminhada. É a realização daquilo tudo que eu disse. Ela me ensina certas coisas, eu a ensino outras; é uma troca: profícua e benfazeja. E isso pode acontecer com qualquer um, em qualquer lugar, rico, pobre, manco, triste… qualquer um.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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