Uma roda-viva, se me permite.

É questão de o tempo passar. Cada vez que essa história resolve mostrar-se verdadeira novamente, eu sou pego de surpresa. Mas, realmente, é, sempre, questão de o tempo passar.

Meses atrás, quando minha namorada morreu, algumas pessoas falaram que, depois, quando a dor passasse, restaria apenas um sentimento de saudade diferente, algo que tomaria o lugar da dor e, oxalá, traria até mesmo algum conforto. Essas pessoas estavam certas (o mais incisivo nisso foi o Marco Aurélio; é das palavras dele que sempre me lembro, por isso o cito), é claro. Por que lembrar disso agora, justo hoje? Fuçando na minha carteira, encontrei o papel onde escrevi o poema sobre ela – que depois transcrevi no post do dia de sua morte. Não doeu, como bem disseram. Ao menos não aquela dor da perda – cuja ferida já cicatrizou há algum tempo. Mas senti uma saudade imensa dos grandes momentos que passamos juntos; e como foram bons momento, criaram ótimas lembranças; que, por fim, acabaram por me confortar. Foi quentão de o tempo passar.

As dores (e as alegrias) nunca duram pra sempre; por mais que eu preferisse acreditar no eterno e doloroso jorrar de sangue pela ferida aberta, em algum momento nesse um ano e seis meses, ela se fechou. E restou (como aprendizado, bálsamo, lágrimas doces – sim, doces – e sorrisos) essa saudade que preenche vazios. Eu deixei de acreditar em muitas coisas durante esse ano e meio, e passei a ver certas coisas de modos diferentes, mas, de qualquer maneira, quero crer que, seja lá o que tiver acontecido a ela depois de tudo, que esteja em paz.

Se esse golpe tão duro foi uma questão de o tempo passar, não vejo porque, então, não acreditar que funciona assim com tudo. Isso serve pra dar uma certa coragem pra seguir em frente, entende? Mesmo com tudo caindo, pedaço por pedaço, continuar não parece má idéia. Chame do que for: esperança, fé, crença, ilusão; o fato é que dá um empurrão substancial na coisa toda.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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