Por um ano novo alvissareiro

Não gosto de fazer retrospectivas, por um motivo muito simples: eu acabo ficando com muito medo, quase um pavor, do ano que está nascendo.

Porque eu tenho uma péssima memória, muita gente sabe disso, então sou obrigado a ficar forçando a minha mente pra que ela me dê alguns fatos importantes que aconteceram no decorrer desses trezentos e sessenta e cinco dias, e então eu revivo de uma maneira muito intensa tudo o que se passou. Às vezes coisas boas – revivê-las não é ruim nem me faz mal -, mas às vezes também, coisas ruins. Nesse doismilequatro a balança pendeu pros dois lados muitas vezes e agora, no fim, não sei direito onde ela está, qual prato está ganhando, não sei mesmo. As coisas boas foram muito boas, as coisas ruins foram muito ruins.

Acho que vai ser assim sempre…

Mas eu aprendi muito sobre mim nesse ano. Me vi agindo e reagindo em situações nunca dantes experimentadas, e na maior parte das vezes foi um susto atrás do outro; fiz e tive medo de mim; não fiz e me arrependi; fizeram e eu não soube o que fazer.

Hoje cedo, deitado na cama, fazendo a minha retrospectiva – sim, eu fiz – me dei conta de como esses trezentos e sessenta e cinco dias são um grupo muito pequeno para um número tão grande de possibilidades (que beiram a infinitude). E pensei em tudo que coube nesses dias que passaram e naquilo que caberá nos próximos. E tive medo, como sempre tenho ao pensar nisso.

Eu queria dizer que estou preparado para novas dores, novos amores, novas conquistas, novas derrotas, novas descobertas, novos sustos, novas perdas… mas não me sinto assim. Mas eu posso estar redondamente enganado, porque imagino que essas novidades todas elas, sejam apenas meras continuações, complementos, necessidades, daquilo que já está posto. E se deu certo esse ano, provavelmente dará no outro, nos outros.

Não é uma mensagem pessimista. Eu vou sorrir quando 2005 começar, vou admirar a Lua, vou admirar os fogos, abraçar minha família… tudo aquilo. Tudo quanto é clichê. Tudo quanto faz desses momentos, momentos de recomeço, de alegria, de amizade.

Tem um manto de estrelas lindo, repleto, cintilante cobrindo a minha cabeça (e não só a minha).

Feliz Ano Novo.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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