Assisti ontem um espetáculo no qual seis músicos f…

Assisti ontem um espetáculo no qual seis músicos franceses, em sua maioria, não que realmente todos eles fizessem biquinho para desejar boa noite à platéia – bonne nuit, bonne nuit! -, tocavam as mais variadas músicas em seus seis contra-baixos acústicos, e não importava quão absurda pudesse parecer a idéia de uma sonata para violinos reverberamdo nas enormes caixas de madeira daqueles desajeitados instrumentos, lá estavam os franceses (e os não franceses) suando e fazendo malabarismos com as varas e com os rostos, para que a música surgisse, fosse agradável e algo comovente.

De início imaginei uma platéia pequena, formada apenas por apreciadores de experimentações musicais, mas depois da primeira salva de palmas que ouvi (e não era a primeira-primeira – eu peguei o espetáculo pelo meio, eu acho) soltei uma exclamação – provavelmente um “ooh!” – e obrigue-me a refazer meus cálculos mentais, à procura de um número condizente com todo aquele ruído. Foram alguns minutos de palmas; o que, imaginei, devesse significar que o público estaria gostando do concerto. Resolvi ficar no canal. Ah, sim!, ia me esquecendo… Eu estava procurando o que assistir na televisão, e era bem tarde da noite quando me deparei com esses rapazes, meio franceses, meio não-importa, tocando contra-baixos acústicos.

Chegou num ponto em que os seis, os seis rapazes, todos eles, reuniram-se em volta de um único contra-baixo, e começaram a tocá-lo, todos juntos. Era uma canção folclórica francesa (por inteiro, totalmente francesa), chamada “Java”. Eu não conhecia, e achei muito engraçado ver aqueles moços todos se espremendo em volta do contra-baixo; principalmente no final, quando todos os seis cantaram os últimos versos da música e fizeram movimentos estranhos com o corpo. Um deles, inclusive chegou a firgir que dormia, por causa do ritmo constante que era obrigado a manter, tocando a parte que lhe cabia do instrumento.

Foi bom tê-los encontrado ontem à noite. Eu planejava assistir “Dogville”, e, pensando melhor agora, não teria sido uma boa idéia. Tinha outra opção: “Shrek 2”, mas eu, ainda assim, preferi ouvir a música dos rapazes. Depois de ouví-los, fui para o quarto e tentei bater um papo com… bom… comigo mesmo, que não tinha mais ninguém, mas também não deu certo e eu acabei dormindo mesmo. Dormi pra acordar hoje.

Sim, isso é óbvio. E me faz pensar numa coisa que, pra mim, com essa minha mania de ver o mundo de outro jeito, não era nada óbvio, até eu ouvir numa música: não é o Sol que se esconde por detrás da montanha ou se afunda no oceano ou vai ficando cada vez menor, cada vez mais parecido com uma linda bola de fogo vermelho e laranja, não! É a Terra que se move. “Eppur si muove“, como disse o nobre amigo, companheiro da Ciência.

E isso, então, vem pra coroar esse texto, que não é de todo desinteressado unicamente porque pretende demonstrar esse desinteresse, e que sopra nuvens cinzentas para longe – de mim.

O ano está acabando e o ano que está pra nascer é, sem dúvida alguma, uma grande incógnita. Não seria exagero algum dizer que ele será um divisor de águas (ah!, a Geografia…), esse dois mil e cinco. E não seria de modo algum uma hipérbole dramática se eu dissesse que preferia ter mais algumas rédeas em minhas mãos; de tudo, muito pouco está sob meu controle… Mas, enfim, lá vou eu enveredando por assuntos que não são para agora.

Bonne nuit, mon jeune seul, bonne nuit.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
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