Oh Captain! My Captain!*

Não me lembro exatamente de como levantei do sofá depois da primeira vez em que assisti “Sociedade dos Poetas Mortos”. Muito mais por uma questão de péssima memória, do que pelo fato irreal de o filme não ter me impressionado. Imagino que, sim, com certeza, devo ter saído muito assustado e sensibilizado (sim, sensibilizado) com a história em si, com o suicídio do garoto – Niel, se não me engano – e com os gritos do Todd ao saber da morte estúpida do amigo.

Assisti hoje, novamente. Mas teve um gosto diferente (se é que me permite); encontrei no filme, analogias para o meu momento; a carapuça, tão odiada, serviu-me e, lhe digo, trouxe-me uma certa calma, quase como um bálsamo aplicado durante a dor mais aguda. Vi ali, retratados no filme, personagens que têm povoado meus dias ultimamente. E me vi, por incrível que pareça, na figura do professor, interpretado (muito bem, diga-se de passagem) por Robin Williams. Por quê me identifiquei com o professor – logo ele!? Porque aquele é (não há passado que caiba aqui) um homem que sabe o valor real da palavra, uma pessoa que entende todo o peso, toda a dor e a alegria, toda a beleza, toda a força que as palavras contêm. E são tão poucas as pessoas que percebem isso… tão poucas. Entender as palavras não significa apenas saber colocá-las em ordem, cadenciadas, bem pontuadas, certas nas margens, bem humoradas (com o melhor que a ironia e o sarcasmo podem oferecer), não, definitivamente, não é só isso. Entendê-las vai além; entendê-las é compreendê-las – e a compreensão é tão mais difícil. Todas as palavras têm seus significados e seus usos muito bem definidos, mas quem as compreende, passa por cima disso (sem nem se dar conta, muitas vezes), e apenas enxerga o sentimento por trás. E ele, o professor, ensinava Literatura Inglesa… poesia. E a poesia é a forma mais fiel e encantadora que inventamos pra materializar aquilo que ora é sentimento, ora é o belo diante dos nossos olhos. Não acredito que eu saiba compreendê-las totalmente ainda, mas sei ler poesias (assim como sei enxergar estrelas).

Carpe diem sempre ressoou reverberante em meus ouvidos, sempre instigou-me, mas eu nunca soube pô-la – a idéia – em prática. Essa expressão ganha mais força toda vez que penso em quão curta e medíocre pode ser a minha vida, se, é claro, eu não souber aproveitar os momentos e as oportunidades que surgem. Nem sempre é fácil, nem sempre depende apenas de mim, nem sempre há um professor maluco do meu lado me mandando fechar os olhos e gritar versos instantâneos como um bárbaro. Mas quando ele existe, oh!, sim, quando ele existe… Eu adoro fazer coro com pessoas que não se importam com o barulho. Eu adoro chorar vendo filmes. Eu adoro abraçar pessoas. Eu adoro fazê-las rir – ainda que de mim. Eu viveria pela poesia da vida, apenas por ela, se ela fosse algo tão pequeno, mas não é: levaria uma ou duas eternidades pra que eu pudesse, talvez, pensar em pensar que já a conhecia o bastante.

É bom ressaltar que essa vontade não beneficia a mim, tão-somente, não, nada de egoísmos – ao menos, não nessa hora. Levo junto quem quiser ir. E que se prepare para erros, acertos, enganos, risos, choros… Mas eu sei ficar realmente, profundamente triste quando alguém pára isso no meio e me deixa falando sozinho. Quando alguém não compreende essa poesia – que é maior (não me canso de dizer, e está em tudo) – e se deixa levar por certezas. Eu odeio certezas. Odeio verdades únicas. Odeio apenas um caminho. Odeio a cegueira do orgulho. Odeio ver que existem pessoas que se acham superiores quando optam por não reconhecer essa poesia (da qual, a forma de arte poesia é só uma demonstração). Fique claro, entrementes, que eu não odeio as pessoas, os indivíduos; tenho, sim, total ojeriza por essa atitude, que é burra.

A vida não existe sem sonhos. Nunca houve quem passasse esse átimo que é o nosso tempo de existência, sem sonhos, nunca.

Esse é um depoimento de uma pessoa apaixonada. Um solitário que preza amizades e não sabe se impor com medo de perdê-las (mal sabendo que amizades verdadeiras não acabam por tão pouco). Um homem (sim, um homem, por mais implausível que seja esse título para um moleque de vinte anos) triste – com cara de triste. Um sentimental que, outra vez, cruzou com mais uma verdade dura; que, outra vez, preferiu se enganar; que, mais uma vez, machucou-se. Um infante em corpo de homem, mal saído dos cueiros, que não sabe dizer aquilo que precisa.

E que chora. Que está chorando. Que ainda vai chorar muito, porque a poesia nem sempre é somente bela… muitas vezes ela também é, como eu, triste; e faz parte saber aprender com tudo isso.

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Sobre thiago gonçalves

se tanto.
Esse post foi publicado em la comedie des jours, recomendações do tio. Bookmark o link permanente.

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