acaba mas até continua

desimportâncias…

Archive for Janeiro 21st, 2008

only skin

sem comentários

Deitado na cama, inerte, pensando.

… nenhuma clareza em meus pensamentos, nem mesmo imagino onde quero chegar partindo dessa ligeira organização mental. Apenas tenho a impressão de que as coisas vão acontecendo rápido demais — não consigo perceber esse sem-número de fronts. Além do quê, há essa preguiça moralmente condenável (e digo isso com leveza de espírito), que me impede uma maior atenção aos acontecimentos todos (especialmente os mais “mundanos”, por assim dizer — como pagar contas).

… são apenas reflexos e sustos. Me assusto seguidamente com essas lembranças repentinas de situações ou compromissos que surgem e desaparecem instantaneamente. E tudo isso acontece concomitantemente: o recordar, o esquecer, a consciência de ambas as coisas, a consciência da consciência…

; fazer certas escolhas, quando efetivamente me proponho a isso, cria conseqüências que no mais das vezes, não enxergo. (Se enxergasse, não teria paciência para elas. E não faria estas escolhas.) Não prevejo o que me espera quando escolho tirar uma pessoa do meu convívio. E, por incrível que pareça, nesses casos, emprego toda a disposição de minha alma condenada para não precisar estar na companhia de tal pessoa; que, miseravelmente, vive cercada de muitas outras pessoas — nem se dando conta, portanto, de minha opção reprovável. No entanto, se ela chega aos ouvidos alheios (ou se alguém percebe o que estou fazendo), sou obrigado a testemunhar uma miríade de reações negativas de todo tipo: tentativas de amenização, olhares fulminantes, indiferenças pretensamente desdenhosas e a certeza de que levo uma vida amargurada e ressentida. No meio disso tudo, algumas concordâncias tácitas (tão hipócritas). De forma que a preguiça — que me acompanha imperiosamente — se apodera das minhas vontades e, inclusive, sorrio docemente, diligentemente para quem me desespera.

Digo sem medo: sou uma farsa. Nada do que vêem em mim é correspondente ao que sou de fato. Jamais aceite meus sorrisos ou meu perdão mais sincero como prova de amizade ou carinho. Desconfie dos meus amores. Me vigie. Me afaste. Em suma, me odeie. Sem saber o motivo, me odeie. Crie em si uma imagem repugnante de mim — e assim você estará seguro; sabendo o que sou, a partir da imagem que você mesmo criou, me dê aquilo que, justamente, não faço por merecer.

Escrito por Thiago Gonçalves

Janeiro 21, 2008 em 3:37 am

Publicado em dos pequenos devaneios