Archive for Dezembro 15th, 2007
la comédie des jours
“(…) o meu bloco tem sem ter”… é isso, entendi. há anos cantando errado e só consegui entender agora. “tem sem ter”. (samba a dois, do los hermanos, se quer saber.)
quantas são as surpresas que a gente ignora? quanta consciência é preciso ter das pessoas, pra saber ver o que elas trazem e não mostram? (se é o caso de ter consciência…)
~.~.~
há muitos anos escrevi o último conto do qual realmente gostei. sim, eu escrevia contos… meu prazer era uma folha em branco — que fosse folha ou tela ou não; desimporta. não sei o que houve. onde parei por alguns momentos e esqueci minha vontade para contos.
quando digo a certas pessoas que, infelizmente, endureci, elas riem, me acusam de fazer drama e “deixa disso, seu bobo”. talvez eu continue sensível a algumas situações, a certos comportamentos, pequenas passagens diárias. prefiro acreditar nisso, inclusive. no entanto, perdi a leveza que me acompanhava havia algum tempo. porque era sentar e escrever — “sem pensar”, eu pensava. hoje eu “penso”. e quanta estupidez há em “pensar”.
eram outros dias, claro. (outra pessoa.) não havia a geografia e anos a mais — já que é função dos dias desfazer ingenuidades. não havia tanto ceticismo.
eram outros dias nos blogs, também. é certo que sempre tive cadernos. do mesmo modo que é certo que nunca gostei de rascunhar e depois transcrever — porque era assim, simples; era sentar e escrever. um dia alguém, em algum lugar, se transformou em um “blogueiro profissional” e matou um pouco da magia. porque, pode não parecer, mas estou nessa já há alguns anos (seis ou sete, enfim); e, portanto, vi a maioria das coisas acontecendo — de longe, na maior parte das vezes. escrever o cotidiano, sem uma sacada genial, sem publicidade, sem links amigos, sem pretensões ou dinheiro, aqui de longe, ficou parecendo estar fantasiado de palhaço num velório (ou vestindo terno preto e lágrimas num circo). ficou parecendo incômodo não ser “sucesso”.
(claro, há exceções. sempre há. um suspiro aliviado em homenagem a elas, então.)
a blogosfera, sempre foi um bom lugar pra fugir da necessidade do sucesso. não do reconhecimento alheio — seja por e-mail ou por um comentário, conversar sobre o escrito, é uma atenção sempre bem-vinda –, mas daquilo que enche páginas e mais páginas de revistas e colunas sociais e sites de fofocas… um ranço, um festejo falso, sorrisos amarelhos e tapinhas nas costas. ou vai ver era a minha afamada ingenuidade — vai ver sempre houve tudo isso, e eu só não enxergava. como saber?
de qualquer forma, é bom ser surpreendido (por algo de fora, absolutamente novo e não-vanguardista) estando atolado nesse mar de feeds repletos de “sucessos” e potencias gênios da raça.







