Archive for Dezembro 11th, 2007
Достое́вский
vontade de a poesia voltar com mais força. vontade de ler o Rosa, “Grande sertão: veredas“, e reaprender com Riobaldo a “travessia”.
não culpo os dias pela insistência em transformarem minhas tentativas em nada. talvez seja essa a sua função – e nada do que se diga ou faça conseguirá mudar o fato absolutamente desagradável. (mas quanto fatalismo…)
no entanto, ontem, minha primeira noite das férias (que ainda são 95% férias), peguei “Memórias do subsolo” (ou “Notas do subterrâneo“, como era antes) para reler. Dostoiévski quando a vontade era Guimarães Rosa.
e por quê?
porque esse ano, que ainda não terminou, e não acaba nunca, me mostrou mais coisas sobre mim que eu desconhecia ou ignorava. (não é retrospectiva chata… é só pra entender porque o russo e não o mineiro.)
em várias oportunidades ao longo do ano me vi ultrapassando certos limites – alguns impostos por mim, outros vindos não sei bem de onde. tudo muito timidamente. não levantei bandeiras, nem de longe me arvoro de algum feito… cometi pequenos crimes. me atrevi a discretos comportamentos tidos como desaconselháveis. reli “O primo Basílio” (em função do filme, lançado esse ano) e reencontrei Juliana – a mesma Juliana por quem nutri uma afeição sincera anos atrás, na primeira leitura. sorri no cinema enquanto ela – mesmo em São Paulo, na década de 1950, contracenando com um falso Jorge|Reinaldo Gianecchinni – torturava a patroa (igualmente falsa).
escolhi companhias. refiz amizades. desrespeitei regras.
não me arvoro. não me sinto um fora-da-lei. não quero ser reconhecido como “aquele, o imbecil, que pensa que pensa”; não.
entendo Rodion Raskolnikov, do outro livro. de um jeito que não pretendo que seja “meu” – sem maiores pretensões. apenas que são confusões semelhantes. pensamentos que fazem com que eu me irrite ao primeiro sinal de punição ou retaliação – especialmente se atenta contra minha liberdade (como normalmente acontece). e não penso em prisões.
a miséria humana me é compreensível. (e não me surpreende.)
(e, no mais, tudo o que queria, minha mais sincera vontade, era apenas um pouco mais da poesia de outros dias. uma chance. a chance de chegar a um lugar e poder permanecer no silêncio – sem explicações.)







