Archive for Dezembro 2007
e vamos.

Feliz 2008 a todos.
(Que de amargura pro ano que chega, quero distância.)
“e chega.”
não consigo pensar em outro fim pra esse ano. já não sei mais escrever retrospectivas como sempre fiz — ou talvez já não viva mais como sempre vivi.
dois-mil-e-sete não deixará saudades. ficará marcado por fatos tristes e tem que terminar com um post triste, durante tanto tempo adiado.
houve coisas boas — e elas compreenderão minha escolha por mantê-las guardadas, intactas na minha memória. e hão de me perdoar quando eu invariavelmente esquecê-las.
minha memória é meu carrasco mais cruel. mantém indefinidamente o que me maltrata e não me permite guardar por mais tempo o que me alivia. e mesmo sabendo disso, não vou escrever pra lembrar. vou esquecer esse ano.
que já vai tarde.
“e chega.”
não consigo pensar em outro fim pra esse ano. já não sei mais escrever retrospectivas como sempre fiz — ou talvez já não viva mais como sempre vivi.
dois-mil-e-sete não deixará saudades. ficará marcado por fatos tristes e tem que terminar com um post triste, durante tanto tempo adiado.
houve coisas boas — e elas compreenderão minha escolha por mantê-las guardadas, intactas na minha memória. e hão de me perdoar quando eu invariavelmente esquecê-las.
minha memória é meu carrasco mais cruel. mantém indefinidamente o que me maltrata e não me permite guardar por mais tempo o que me alivia. e mesmo sabendo disso, não vou escrever pra lembrar. vou esquecer esse ano.
que já vai tarde.
Porque há coisas…
… das quais não se pode escapar.
Országház, o Parlamento húngaro.
Portanto, lá está minha MiniCity nas planícies húngaras – no centro da velha Europa, terra de antigas batalhas e habilidosos cavaleiros. Cuja língua, é, sem dúvida, um código cuidadosamente criado e absolutamente intransponível. Onde se faz boa música e bons vinhos. Um segredo guardado a sete chaves…
É uma brincadeira divertida, pois não?
______
Atualização
Que falta de touché. Nem lembrei de avisar aqui sobre outras mini-cidades alhures. Senão, vejamos:
- Rád-a-Trest, República Tcheca (Tiagón el rey Casagrande)
- Fagulhas, República Centro-Africana (Eduardo Menezes)
- Capitalismo, França (Carla Castilhos)
- Piada, Brasil (Gabriela Zago)
- Sin Título, Cuba (Moisés Ribeiro)
- Petit-Mignot, França (Ieda Marcondes)
- Dashville, Brasil (Rafael Gonçalves)
- Cascarai, Brasil (Marco Aurélio)
Segunda atualização
Csókolom está aberta ao capital estrangeiro. Há incentivos fiscais. Fazemos questão de não perguntar nada. Não perca essa chance. Abra sua empresa em nosso quadradinho!
la comédie des jours
“(…) o meu bloco tem sem ter”… é isso, entendi. há anos cantando errado e só consegui entender agora. “tem sem ter”. (samba a dois, do los hermanos, se quer saber.)
quantas são as surpresas que a gente ignora? quanta consciência é preciso ter das pessoas, pra saber ver o que elas trazem e não mostram? (se é o caso de ter consciência…)
~.~.~
há muitos anos escrevi o último conto do qual realmente gostei. sim, eu escrevia contos… meu prazer era uma folha em branco — que fosse folha ou tela ou não; desimporta. não sei o que houve. onde parei por alguns momentos e esqueci minha vontade para contos.
quando digo a certas pessoas que, infelizmente, endureci, elas riem, me acusam de fazer drama e “deixa disso, seu bobo”. talvez eu continue sensível a algumas situações, a certos comportamentos, pequenas passagens diárias. prefiro acreditar nisso, inclusive. no entanto, perdi a leveza que me acompanhava havia algum tempo. porque era sentar e escrever — “sem pensar”, eu pensava. hoje eu “penso”. e quanta estupidez há em “pensar”.
eram outros dias, claro. (outra pessoa.) não havia a geografia e anos a mais — já que é função dos dias desfazer ingenuidades. não havia tanto ceticismo.
eram outros dias nos blogs, também. é certo que sempre tive cadernos. do mesmo modo que é certo que nunca gostei de rascunhar e depois transcrever — porque era assim, simples; era sentar e escrever. um dia alguém, em algum lugar, se transformou em um “blogueiro profissional” e matou um pouco da magia. porque, pode não parecer, mas estou nessa já há alguns anos (seis ou sete, enfim); e, portanto, vi a maioria das coisas acontecendo — de longe, na maior parte das vezes. escrever o cotidiano, sem uma sacada genial, sem publicidade, sem links amigos, sem pretensões ou dinheiro, aqui de longe, ficou parecendo estar fantasiado de palhaço num velório (ou vestindo terno preto e lágrimas num circo). ficou parecendo incômodo não ser “sucesso”.
(claro, há exceções. sempre há. um suspiro aliviado em homenagem a elas, então.)
a blogosfera, sempre foi um bom lugar pra fugir da necessidade do sucesso. não do reconhecimento alheio — seja por e-mail ou por um comentário, conversar sobre o escrito, é uma atenção sempre bem-vinda –, mas daquilo que enche páginas e mais páginas de revistas e colunas sociais e sites de fofocas… um ranço, um festejo falso, sorrisos amarelhos e tapinhas nas costas. ou vai ver era a minha afamada ingenuidade — vai ver sempre houve tudo isso, e eu só não enxergava. como saber?
de qualquer forma, é bom ser surpreendido (por algo de fora, absolutamente novo e não-vanguardista) estando atolado nesse mar de feeds repletos de “sucessos” e potencias gênios da raça.
Достое́вский
vontade de a poesia voltar com mais força. vontade de ler o Rosa, “Grande sertão: veredas“, e reaprender com Riobaldo a “travessia”.
não culpo os dias pela insistência em transformarem minhas tentativas em nada. talvez seja essa a sua função – e nada do que se diga ou faça conseguirá mudar o fato absolutamente desagradável. (mas quanto fatalismo…)
no entanto, ontem, minha primeira noite das férias (que ainda são 95% férias), peguei “Memórias do subsolo” (ou “Notas do subterrâneo“, como era antes) para reler. Dostoiévski quando a vontade era Guimarães Rosa.
e por quê?
porque esse ano, que ainda não terminou, e não acaba nunca, me mostrou mais coisas sobre mim que eu desconhecia ou ignorava. (não é retrospectiva chata… é só pra entender porque o russo e não o mineiro.)
em várias oportunidades ao longo do ano me vi ultrapassando certos limites – alguns impostos por mim, outros vindos não sei bem de onde. tudo muito timidamente. não levantei bandeiras, nem de longe me arvoro de algum feito… cometi pequenos crimes. me atrevi a discretos comportamentos tidos como desaconselháveis. reli “O primo Basílio” (em função do filme, lançado esse ano) e reencontrei Juliana – a mesma Juliana por quem nutri uma afeição sincera anos atrás, na primeira leitura. sorri no cinema enquanto ela – mesmo em São Paulo, na década de 1950, contracenando com um falso Jorge|Reinaldo Gianecchinni – torturava a patroa (igualmente falsa).
escolhi companhias. refiz amizades. desrespeitei regras.
não me arvoro. não me sinto um fora-da-lei. não quero ser reconhecido como “aquele, o imbecil, que pensa que pensa”; não.
entendo Rodion Raskolnikov, do outro livro. de um jeito que não pretendo que seja “meu” – sem maiores pretensões. apenas que são confusões semelhantes. pensamentos que fazem com que eu me irrite ao primeiro sinal de punição ou retaliação – especialmente se atenta contra minha liberdade (como normalmente acontece). e não penso em prisões.
a miséria humana me é compreensível. (e não me surpreende.)
(e, no mais, tudo o que queria, minha mais sincera vontade, era apenas um pouco mais da poesia de outros dias. uma chance. a chance de chegar a um lugar e poder permanecer no silêncio – sem explicações.)
post platino
Os argentinos, a grande maioria deles, têm um qualquer coisa que os transforma em pessoas incríveis – ao mesmo tempo que pode transformá-los em pessoas insuportáveis. Conheci alguns, ainda conheço outros. Pessoas fantásticas, sem dúvida – e, no fundo, pouco importa se incríveis ou insuportáveis, se incríveis e insuportáveis… Tenho a impressão de que construir esse orgulho seja o esporte nacional naquele país. É algo sedutor. Penso ainda que os argentinos têm muito azar. Eles são ótimos com a bola nos pés, mas vivem no mesmo continente que os brasileiros (que temos muita sorte – e aqui peço condescendência a uma ingenuidade implícita e, talvez, absurda); eles produziram alguns dos maiores escritores da língua castelhana, mas nos meios menos cuidadosos, parece (e digo isso de “orelhada”), parece haver uma resistência qualquer a eles; Buenos Aires deve ser uma das cidades mais agradáveis para se viver, e a única coisa que lembramos de lá é que “não passa de uma ‘cópia’ sul-americana de Paris” ou qualquer generalização dessas.
Eu, até alguns anos atrás, quando me perguntavam sobre música argentina, respondia um mecânico “Carlos Gardel” – que eu nunca tinha ouvido direito. Pensava na Eva Perón também, mas sem muita certeza. Que estupidez… Quanto tempo perdido… Que desperdício de boas audições… Mas o mundo dá voltas, a gente cresce, conhece gente e coisas e um nerd maluco inventou a internet, o MP3 e as (benditas!) redes P2P.
Hoje, graças a essas benção alcançadas, posso falar com um pouco mais de cuidado sobre a música que se faz por lá.
Ainda no quesito Tango, ou “carlos-gardelidades”, há que se ressaltar o trabalho do próprio Gardel, que apesar de não ter nascido na Argentina, foi o maior tangueiro da história. Seus trabalhos e canções inspiraram um sem-número de outros cantores. Num outro momento, no outro extremo do espectro, encontramos Astor Piazzolla, cuja história não pode ser resumida em poucas linhas. Se Gardel fundou e representou o Tango argentino em todo mundo na primeira metade do século 20, Piazzolla foi o grande nome da segunda metade, até sua morte, em 1992, e ainda hoje. São histórias diferentes… Gardel “compilou” as tradições mais combatidas por Piazzolla – pelo que, durante toda vida, foi perseguido pelos tangueiros mais tradicionalistas, que o chamavam “el asesino del tango“. Citando o próprio:
“Si, es cierto, soy un enemigo del tango; pero del tango como ellos lo entienden. Ellos siguen creyendo en el compadrito, yo no. Creen en el farolito, yo no. Si todo ha cambiado, también debe cambiar la música de Buenos Aires. Somos muchos los que queremos cambiar el tango, pero estos señores que me atacan no lo entienden ni lo van a entender jamás. Yo voy a seguir adelante, a pesar de ellos.“
Astor Piazzolla, Revista Antena, Buenos Aires, 1954.
Seria divertido ver a reação do Piazzolla às novidades do tango argentino. Há dois grupos que estão naquilo que chamam, e que me dá um frio na espinha, de “vanguarda”: Gotan Project e o Bajofondo Tango Club. O primeiro foi formado em Paris, um trio: um argentino, um francês e um suíço. Já o Bajofondo é um nome, um “guarda-chuva” que está sobre várias cabeças vindas do estuário do Rio da Prata, entre argentinos e uruguaios estão inclusos músicos que se dedicam a aperfeiçoar as sonoridades do bom e velho Tango.
Claro que há mais que isso. Cada um desses nome merece seu próprio espaço. E talvez venha, o espaço.
Mas há vida musical além-Tango na Argentina. São muitos os outros estilos e muitos os outros bons artistas. Há o candombe, a cumbia, a milonga, como exemplos de ritmos “tradicionais”.
Artistas novos e que mesclam influências portenhas e estrangeiras são muitos – e bons, via de regra. Entre eles, escolhi falar do Kevin Johansen. Natural do Alaska, morou um tempo em Nova York e hoje está em Buenos Aires. Canta em inglês, mas principalmente em castelhano portenho. Tenho a sensação de que, às vezes, ele é a trilha sonora de Macanudo, a terra inventada pelo Liniers, um desenhista argentino, que todo mundo devia conhecer. As músicas nem sempre são agitadas, calmas, alegres, tristes, simples ou complexas. O que esse moço faz não deve ser fácil de guardar em algumas das caixinhas… É uma mistura de tudo o que é mais argentino – com o que o mundo tem pra contribuir. Uma música rica, com certeza.
E há mais: Juana Molina, Andrés Calamaro, o velho Fito Paez, a banda Bersuit Vergarabat (mais irreverente à moda portenha impossível) e minhas duas novas descobertas: Lisandro Aristimuño e Charly García.
Generalizações são um problema. Esse texto é raso e pouco profundo. Quem souber mais, compartilhe. Com mais tempo, agora que as férias (enfim) chegaram, melhoro a coisa toda.








